Marcha é uma sequência repetitiva de movimentos dos membros inferiores que move o corpo para frente enquanto simultaneamente mantém a estabilidade no apoio. Compreender a marcha e seu ciclo normal permite ao fisioterapeuta a análise, a avaliação e o tratamento das desordens musculoesqueléticas e neurológicas. Sabendo disso, Charles Albert, fisioterapeuta da Prefeitura Municipal de Santa Maria de Jetibá, avalia o paciente IASSB, de 75 anos, por meio de fotos e vídeos. Ao verificar as imagens percebe que o paciente apresenta um tipo de marcha com as seguintes características: pés arrastados no chão, padrão de passos curtos e rápidos (festinação), com flexão de tronco, joelhos e membros superiores (flexão anterior do corpo). Com base nos dados do paciente citado, qual é a marcha patológica apresentada?
- A)Atáxica.
Errada, porque a marcha atáxica costuma ter base alargada e instabilidade, e não esse padrão de passos curtos e festinação.
- B)Anserina.
Errada, porque a marcha anserina é o "rebolado" por fraqueza de glúteos, com balanço pélvico, e não arrasto dos pés com flexão global.
- C)Escavante.
Errada, porque a marcha escavante é típica de pé caído, com elevação excessiva do joelho para não arrastar a ponta do pé, bem diferente do quadro descrito.
- D)Parkinsoniana.
Certa, pois a marcha parkinsoniana apresenta passos curtos, festinação, arrasto dos pés e postura em flexão do tronco e dos membros.
Gabarito: D
A marcha normal tem um ciclo bem organizado: o corpo avança, o peso se transfere e os membros inferiores trabalham em harmonia para garantir deslocamento e equilíbrio. Quando algo foge desse padrão, a forma de andar costuma denunciar a causa. Na questão, os sinais descritos são muito típicos de marcha parkinsoniana: passos curtos e rápidos, como se a pessoa estivesse "correndo atrás" do próprio centro de gravidade, além da flexão do tronco e dos membros, com os pés arrastando no chão. Esse conjunto de achados é clássico na doença de Parkinson e em síndromes parkinsonianas: postura em flexão, redução do balanço de braços, base de apoio mais instável e festinação, que é justamente esse aumento involuntário da velocidade com passos miúdos. O paciente parece ter dificuldade em iniciar e manter o movimento de forma ampla e fluida. Por isso, o gabarito é a letra D. A banca descreveu quase o retrato falado da marcha parkinsoniana, sem precisar usar o nome da doença diretamente. Em provas, vale guardar a combinação: passos curtos + arrasto dos pés + tronco flexionado + festinação = pensa em Parkinson. As outras alternativas trazem marchas com características diferentes, geralmente ligadas a ataxia, alteração de quadril ou déficit de dorsiflexão, então não batem com o enunciado.