A surdocegueira é uma deficiência singular que apresenta perdas auditivas e visuais concomitantemente em diferentes graus, levando a pessoa a desenvolver diferentes formas de comunicação para entender e interagir com os outros e o meio ambiente. Conhecedor do assunto, o fisioterapeuta do Centro Municipal de Reabilitação foi convidado para palestrar sobre acessibilidade para pessoas com surdocegueira. Como conhecia a comunidade local, o profissional teve como objetivo abordar conceitos básicos sobre o assunto e propor uma dinâmica em grupo, para que os participantes compreendam os tipos de barreiras. Baseado nesta situação, sobre acessibilidade e barreiras, assinale a afirmativa correta.
- A)A barreira atitudinal é a mais desafiadora para a pessoa com deficiência.
Correta, porque a barreira atitudinal costuma ser a mais difícil de superar, já que depende de mudança de postura, respeito e inclusão social.
- B)A acessibilidade evidencia unicamente os aspectos referentes ao uso dos espaços físicos.
Errada, pois acessibilidade não se restringe ao espaço físico; ela também envolve comunicação, informação, tecnologia e atitude.
- C)O objetivo da acessibilidade é criar adaptações que funcionem no trabalho dessas pessoas
Errada, porque o objetivo da acessibilidade é garantir autonomia e participação, e não criar adaptações apenas para o trabalho de um grupo específico.
- D)Os espaços públicos são acessíveis se forem planejados em desenho próprio para cada deficiência.
Errada, pois espaços públicos acessíveis não precisam ser desenhados separadamente para cada deficiência, mas sim com desenho universal e recursos de acessibilidade.
Gabarito: A
Acessibilidade não é só rampa, elevador ou piso tátil. Ela envolve a possibilidade real de a pessoa usar, entender e participar dos espaços, serviços, informações e relações sociais com autonomia e segurança. No caso da pessoa com surdocegueira, isso fica ainda mais evidente, porque a comunicação e a circulação dependem de recursos específicos e de uma rede de apoio bem preparada. A legislação brasileira trata esse tema de forma ampla. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) afirma que acessibilidade é a possibilidade de alcance e uso, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, transportes, informação e comunicação, entre outros. Ou seja, não se limita ao ambiente físico. Também entram tecnologia assistiva, comunicação acessível e atitudes inclusivas. É aí que entra o ponto central da questão: a barreira atitudinal. Ela surge quando existem preconceito, medo, impaciência, infantilização ou a ideia de que a pessoa com deficiência não consegue participar. Muitas vezes, essa é a barreira mais difícil, porque não se resolve só com obra ou equipamento. É preciso mudar comportamento, cultura e postura social. Por isso, a alternativa A está correta. Para a pessoa com deficiência, especialmente em situações de surdocegueira, a barreira atitudinal costuma ser a mais desafiadora, porque pode impedir comunicação, convivência, acesso a serviços e até o reconhecimento da própria autonomia. Em resumo: sem atitude inclusiva, a acessibilidade fica capenga, como acessório sem função.