Marcha é a sequência dinâmica de eventos que permitem que o indivíduo se desloque, mantendo a posição bípede. É uma atividade complexa, resultante de ações reflexas e voluntárias. A marcha normal é cíclica, com fases alternando-se com o apoio e balanço do membro inferior. Dessa forma, identificar anormalidades na marcha é fundamental para traçar adequado plano de tratamento fisioterapêutico. Relacione adequadamente as anormalidades da marcha às suas respectivas características. 1. Marcha por deficiência do glúteo médio. 2. Marcha talonante (ou tabética). 3. Marcha espástica (marcha em tesoura). 4. Marcha escavante. ( ) O toque do calcanhar é feito com muita intensidade, produzindo um som típico. Ocorre em neuropatias que afetam a sensibilidade profunda e a percepção vibratória. ( ) O tronco inclina-se exageradamente para o lado do apoio. Quando a insuficiência é bilateral, o tronco balança para um lado e para o outro, caracterizando a marcha anserina. ( ) Ocorre um encurtamento dos músculos adutores do quadril, provocando uma adução das coxas, de modo que os joelhos podem se cruzar um na frente do outro. ( ) Caracterizada por fraqueza do tibial anterior, com incapacidade de controlar a flexão dorsal adequada do tornozelo para a liberação durante os componentes de toque do calcanhar e balanço na marcha. A sequência está correta em
- A)2, 1, 3, 4.
Correta, porque relaciona talonante, deficiência do glúteo médio, espástica em tesoura e escavante na sequência certa.
- B)2, 3, 1, 4.
Errada, porque troca as características da marcha do glúteo médio e da marcha espástica.
- C)4, 1, 3, 2.
Errada, porque inverte as associações da marcha talonante e da marcha escavante.
- D)2, 3, 4, 1.
Errada, porque mistura os padrões e não respeita a correspondência clínica das descrições.
Gabarito: A
A marcha normal parece simples, mas envolve coordenação fina de músculos, equilíbrio e controle neurológico. Quando algum componente falha, aparecem padrões bem característicos, e a banca costuma cobrar isso pela descrição do movimento, não pelo nome da marcha. Aqui, a primeira descrição fala de um toque de calcanhar mais forte e sonoro, típico da marcha talonante, ligada à perda da sensibilidade profunda, como nas neuropatias tabéticas. A segunda descrição aponta inclinação exagerada do tronco para o lado de apoio, sinal clássico de deficiência do glúteo médio. Se a fraqueza é bilateral, surge o balanço lateral do tronco, lembrando a marcha anserina. A terceira descrição fala de encurtamento dos adutores do quadril, com adução das coxas e cruzamento dos joelhos, o que define a marcha espástica ou em tesoura. Já a quarta descreve fraqueza do tibial anterior, com dificuldade para fazer dorsiflexão adequada do tornozelo durante o balanço e o contato inicial, o que corresponde à marcha escavante, também chamada de steppage. É uma daquelas questões em que o segredo é reconhecer o desenho do passo, quase como identificar alguém pelo jeito de andar. Por isso, a sequência correta é 2, 1, 3, 4, exatamente a alternativa A. A lógica é associar cada característica ao déficit muscular ou neurológico específico: propriocepção prejudicada na talonante, glúteo médio na marcha de Trendelenburg/anserina, adutores espásticos na marcha em tesoura e tibial anterior fraco na marcha escavante. Na prática clínica, saber isso ajuda muito na avaliação fisioterapêutica, porque o padrão da marcha dá pistas rápidas sobre o grupo muscular comprometido e sobre possíveis lesões neurológicas ou ortopédicas.