Um fisioterapeuta iniciou seus trabalhos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e sua chefia imediata, durante a apresentação do espaço e das atividades já realizadas, o informou sobre o alto número de pessoas com obesidade na região e que havia a necessidade de atenção a tal população. O fisioterapeuta, em sua proposta de atuação, fez alguns levantamentos sobre a faixa etária das pessoas, atividades laborais e de lazer. Chegou a entrevistar algumas e, ainda, constatou queixa unânime de dores nas costas, além de dificuldades em atividades diárias. A partir de tais informações, preparou um plano inicial de trabalho junto à comunidade. Para sua atuação em Atenção Primária, são consideradas ações mais apropriadas do fisioterapeuta:
- A)Sessão coletiva semanal de exercícios de pilates com foco em diminuição das dores nas costas.
Errada, porque restringe a atuação a um grupo e a um objetivo muito específico, sem abordagem ampla de educação em saúde e promoção da autonomia no território.
- B)Aplicação de ultrassom terapêutico associado à massoterapia clássica para as pessoas da comunidade que se queixam de dores nas costas.
Errada, porque ultrassom terapêutico e massoterapia clássica são condutas mais reabilitadoras e individualizadas, pouco compatíveis com a lógica coletiva da Atenção Primária.
- C)Palestras sobre alimentação, cardápio saudável e novas receitas para aproveitamento de alimentos com associação de exercícios aeróbicos.
Errada, porque mistura orientação alimentar com exercício, mas puxa o foco para nutrição e não organiza uma ação fisioterapêutica territorial e educativa como pede a questão.
- D)Oficinas de educação em saúde com a população, a fim de trabalhar conceitos gerais sobre boa postura corporal e importância do exercício físico.
Certa, porque oficinas de educação em saúde permitem atuação coletiva, preventiva e promotora de autocuidado, alinhada à Atenção Primária e à Estratégia Saúde da Família.
Gabarito: D
Na Atenção Primária, o fisioterapeuta não deve focar só no tratamento da dor já instalada, como se fosse um “conserto de última hora”. A lógica da Estratégia Saúde da Família é olhar o território, conhecer os hábitos, os riscos, o modo de vida e atuar principalmente na promoção da saúde e na prevenção de agravos, junto com a equipe e com a comunidade. Por isso, a avaliação da realidade local, como faixa etária, trabalho, lazer, queixas frequentes e necessidades do grupo, é parte essencial do planejamento. Quando a questão fala em população com obesidade, dor nas costas e dificuldade nas atividades diárias, o caminho mais adequado é uma ação educativa e coletiva, voltada para autocuidado, orientação postural, estímulo à atividade física e construção de hábitos saudáveis. Isso combina muito mais com a APS do que procedimentos isolados e individualizados, porque o objetivo é reduzir risco, melhorar funcionalidade e ampliar a autonomia das pessoas. A alternativa D acerta em cheio porque propõe oficinas de educação em saúde com a população. Esse tipo de ação conversa com o papel do fisioterapeuta na Atenção Básica: trabalhar em grupo, orientar de forma simples, fortalecer hábitos saudáveis e ajudar a comunidade a entender como postura, movimento e exercício influenciam a saúde. É a cara da prevenção, e não apenas do atendimento reabilitador. Em provas de SUS e APS, vale lembrar: quanto mais a proposta parecer coletiva, educativa, territorial e preventiva, mais chance de estar no caminho certo. Já recursos como terapia manual, aparelhos ou intervenção centrada só na dor costumam fugir do foco da Estratégia Saúde da Família.