A ventilação não-invasiva (VNI) é nível de evidência A em pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), reduzindo a taxa de intubação traqueal em 80% dos casos. A pressão positiva tem vários efeitos do ponto de vista respiratório, revertendo a insuficiência respiratória aguda nesses pacientes. Todos os parâmetros a seguir devem ser observados durante a realização da VNI em pacientes com DPOC agudizado, EXCETO:
- A)PEEP com o objetivo de reduzir trabalho respiratório.
Correta, porque a PEEP ajuda a vencer a auto-PEEP e pode reduzir o trabalho respiratório.
- B)Ciclagem mais elevada, encurtando o tempo inspiratório.
Correta, pois uma ciclagem mais rápida/tempo inspiratório menor favorece a expiração e reduz aprisionamento aéreo.
- C)Reversão do rebaixamento do nível de consciência causado pela retenção de CO2 arterial.
Correta, já que a VNI pode melhorar a hipercapnia e, com isso, reverter o rebaixamento do nível de consciência.
- D)Rise time (tempo de subida) desacelerado, reduzindo o pico de fluxo inspiratório para reduzir trabalho respiratório.
Errada, porque um rise time mais lento atrasa a assistência inspiratória e tende a piorar o conforto e o esforço respiratório.
Gabarito: D
Na DPOC agudizada, a VNI costuma ser uma grande aliada porque ajuda a melhorar a ventilação alveolar, diminuir o trabalho respiratório e reduzir a necessidade de intubação. Na prática, você quer uma assistência que ajude o paciente a respirar com menos esforço, sem “brigar” com ele na inspiração e na expiração. Por isso, alguns ajustes são bem úteis: uma PEEP adequada pode compensar a auto-PEEP e facilitar o disparo do ciclo, e um tempo inspiratório mais curto costuma ser vantajoso em pacientes obstrutivos, porque dá mais tempo para a expiração e reduz aprisionamento aéreo. Além disso, a melhora da ventilação pode contribuir para reverter hipercapnia e o rebaixamento do nível de consciência causado pela retenção de CO2. O ponto da letra D está errado porque um rise time desacelerado, ou seja, mais lento, atrasa a entrega da pressão durante a inspiração. Em vez de aliviar, isso pode aumentar desconforto e esforço do paciente, já que a assistência chega “devagar demais” para quem está com alta demanda ventilatória. Em VNI para DPOC, o ajuste deve favorecer sincronismo e conforto, não deixar a máquina pensar demais. Em resumo: a banca cobrou os ajustes clássicos da VNI na exacerbação da DPOC, e a alternativa D foge da lógica fisiológica esperada. O raciocínio aqui é simples: obstrutivo gosta de expirar melhor, sincronizar melhor e receber suporte na hora certa.