Paciente, sexo masculino, 49 anos, sofreu Acidente Vascular Encefálico (AVE) há 4 meses. No período, ficou hospitalizado por 5 dias e realizou 20 sessões de tratamento fisioterapêutico. Concluídas as sessões, seguiu realizando caminhada por uma hora diária. Tem apresentado boa cognição, fala, motivação para exercícios físicos, os quais não tem realizado na última semana pelo fato de sentir os pés edemaciados e “um pouco de falta de ar”, segundo seu relato. Procurou a clínica de fisioterapia, a fim de verificar o que poderia fazer para amenizar os sintomas. Durante a avaliação clínica, foram verificados os seguintes parâmetros: pressão arterial em repouso de 180x110 mmHg; Frequência Respiratória em repouso de 27 respirações por minuto; Frequência Cardíaca de 112 batimentos por minuto; grau 4 de função para os músculos do lado direito do corpo e grau 3 para os músculos do lado esquerdo. A conduta ideal inicialmente para o paciente é:
- A)Exercícios aeróbicos dinâmicos, para controle dos parâmetros apresentados e que estão alterados.
Errada, porque exercícios aeróbicos com esses sinais vitais podem piorar a instabilidade hemodinâmica e respiratória em vez de controlar o quadro.
- B)Encaminhamento imediato ao setor de emergência, uma vez que seus parâmetros vitais estão muito alterados.
Certa, pois a pressão arterial, a frequência cardíaca, a frequência respiratória e os sintomas indicam necessidade de encaminhamento urgente para avaliação médica.
- C)Exercícios ativos livres para os músculos do lado esquerdo do corpo, uma vez que ele não consegue resistir a alguma carga.
Errada, porque mesmo exercícios ativos livres não devem ser iniciados quando o paciente está clinicamente instável e com sinais de descompensação.
- D)Exercícios ativos resistidos para os músculos do lado direito do corpo, com ênfase para membros inferiores devido ao edema apresentado.
Errada, pois exercícios resistidos são ainda menos indicados nesse momento, já que podem elevar mais a pressão arterial e a sobrecarga cardiovascular.
Gabarito: B
Em fisioterapia, a primeira regra quando você encontra sinais vitais muito fora do esperado é não sair prescrevendo exercício como se nada tivesse acontecido. O paciente da questão já chega com pressão arterial de 180x110 mmHg, frequência cardíaca de 112 bpm e frequência respiratória de 27 irpm, além de queixa de falta de ar e edema. Isso sugere descompensação clínica e risco aumentado durante qualquer esforço, especialmente em um indivíduo com histórico de AVE recente. Nesses casos, a conduta segura é interromper a progressão terapêutica e encaminhar imediatamente para avaliação médica ou serviço de emergência. Em fisioterapia, exercício é tratamento, mas não é convite para testar a sorte quando os parâmetros estão perigosamente alterados. A prioridade é proteger o paciente, estabilizar o quadro e investigar a causa dos sintomas, que podem indicar problema cardiovascular, respiratório ou até complicação sistêmica. Por isso, o gabarito é a alternativa B. Ela reconhece que os valores estão muito alterados e que o quadro exige urgência, não treino. Em prova de concurso, a banca costuma cobrar esse raciocínio de segurança clínica: antes de pensar em alongamento, fortalecimento ou aeróbico, você precisa checar se o paciente está apto a continuar. Vale lembrar que, na prática profissional, o fisioterapeuta deve atuar dentro dos limites de segurança e encaminhar quando houver sinais de instabilidade. Aqui, os sinais vitais e os sintomas falam alto demais para liberar exercício. O corpo já avisou, e dessa vez a esteira fica para depois.