Considere prestar atendimento a um paciente internado por DPOC exacerbada há uma semana. Ele aparenta melhora clínica importante, relatando que está sentindo menos dispneia. Para mensurar a melhora clínica, foi realizada uma espirometria à beira do leito, analisando as variáveis de Capacidade Vital Forçada (CVF); Volume Expiratório Forçado no 1º segundo (VEF1); e, relação entre VEF1 e CVF. Sabendo-se que a DPOC é caracterizada por um distúrbio ventilatório obstrutivo, como poderia ser o comportamento de tais variáveis neste exame de avaliação?
- A)CVF normal ou diminuída; VEF1 diminuído; e, VEF1/CVF diminuída.
Correta: na DPOC, o padrão obstrutivo reduz o VEF1 e a relação VEF1/CVF, com CVF normal ou reduzida por aprisionamento aéreo.
- B)CVF normal ou aumentada; VEF1 aumentado; e, VEF1/CVF normal.
Errada: VEF1 aumentado e relação normal não combinam com distúrbio obstrutivo de DPOC.
- C)CVF normal; VEF1 aumentado; e, VEF1/CVF normal ou aumentada.
Errada: o VEF1 não tende a aumentar na DPOC, e a relação VEF1/CVF não fica normal ou aumentada.
- D)CVF diminuída; VEF1 normal ou diminuído; e, VEF1/CVF aumentada.
Errada: relação VEF1/CVF aumentada sugere padrão restritivo ou outro cenário, não DPOC obstrutiva.
Gabarito: A
Na espirometria, a DPOC costuma aparecer como distúrbio ventilatório obstrutivo. Isso significa que o paciente tem dificuldade principalmente para eliminar o ar com rapidez, então o VEF1 cai, porque no primeiro segundo ele consegue soltar menos ar do que o esperado. Como a saída de ar fica prejudicada, a relação VEF1/CVF também diminui, o que é um achado clássico de obstrução. A CVF pode ficar normal ou diminuída. Em muitos pacientes com DPOC, especialmente quando há aprisionamento aéreo e hiperinsuflação, parte do ar fica retida nos pulmões e a capacidade de esvaziar completamente é menor, reduzindo a CVF. Em outros casos, ela pode ainda aparecer normal, mas o ponto central do quadro obstrutivo é mesmo a queda do VEF1 e da relação VEF1/CVF. Por isso, o gabarito A está correto: CVF normal ou diminuída; VEF1 diminuído; e VEF1/CVF diminuída. É a cara da obstrução bradando no exame, com o ar até querendo sair, mas levando mais tempo do que deveria. Na prática clínica, esse padrão ajuda a diferenciar obstrução de doenças restritivas, nas quais o destaque é a redução da CVF com relação VEF1/CVF preservada ou aumentada.