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Fisioterapia · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Fisioterapia

A lesão traumática do plexo braquial acomete comumente adultos jovens que tenham sofrido acidentes de trânsito, na faixa etária dos 21 aos 45 anos. As lesões ocorridas no sistema nervoso central ou periférico podem causar alterações motoras e sensitivas importantes, que ocasionam disfunções para o membro superior acometido. Entre as classificações existentes para as lesões do tecido nervoso periférico, a mais conhecida foi postulada por Seddon, em três tipos — neuropraxia; axoniotmese; e, neurotmese — e, em meados dos anos de 1990, Sunderland subdividiu essas lesões em cinco graus, levando em consideração as estruturas acometidas. Além destas classificações, Limthongthang e colaboradores se referiram à classificação das lesões do plexo braquial como lesão pré e pós-ganglionar, e supra e infraclavicular. Segundo vários autores, diferentes mecanismos podem gerar lesão parcial ou total do plexo braquial, sendo o trauma de alta energia o principal. Destacam-se, ainda, os perfurantes (como ferimento por faca), os causados por arma de fogo, as fraturas de ossos da região do ombro ou pescoço e a luxação de ombro. Considerando que, na prática, o principal mecanismo deste tipo de lesão envolve o estiramento das estruturas nervosas nos acidentes automobilísticos e motociclísticos, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. ( ) As lesões do plexo braquial podem ser divididas em superior, inferior e completa. ( ) Nas lesões completas do plexo braquial, ocorre uma tração dos troncos superiores C5 e C6. ( ) Na lesão inferior do plexo braquial, há uma tração nos troncos C8 e T1. ( ) A lesão superior do plexo braquial afeta todos os troncos do plexo braquial. A sequência está correta em

Gabarito: D

A lesão do plexo braquial costuma ser lembrada por três padrões clínicos clássicos: superior, inferior e completa. A superior, também chamada de Erb-Duchenne, atinge principalmente as raízes C5 e C6, geralmente por tração do membro afastado do tronco. Já a inferior, ou Klumpke, envolve C8 e T1, com repercussão maior na mão e nos músculos intrínsecos. Quando a lesão é completa, há comprometimento extenso do plexo, afetando vários níveis ao mesmo tempo. Na prática, o mecanismo mais comum é o estiramento em acidentes de moto e carro, quando o ombro fica preso e o pescoço/membro sofrem tração em sentidos opostos. Isso explica por que a classificação topográfica ajuda tanto na avaliação fisioterapêutica: ela orienta o tipo de déficit motor e sensitivo esperado, além do prognóstico funcional. Agora, vamos ao pulo do gato da questão. A primeira afirmativa está correta porque a divisão em superior, inferior e completa é uma forma clínica bem conhecida de organizar as lesões do plexo. A segunda está errada porque lesão completa não significa tração apenas de C5 e C6; isso descreve mais a lesão superior. A terceira está correta porque a lesão inferior envolve justamente C8 e T1. A quarta está errada porque a lesão superior não pega todos os troncos, e sim principalmente as raízes superiores. Portanto, a sequência é V, F, V, F, que corresponde à alternativa D. Em fisioterapia, esse raciocínio é importante porque muda a forma de testar força, sensibilidade, postura escapular e função da mão, além de direcionar metas de reabilitação.

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