A posição prona tem sido recomendada para pacientes com Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) grave durante a ventilação mecânica invasiva. Durante a pandemia de Covid-19, sua adoção aumentou sendo utilizada antes da intubação em pacientes que respiravam espontaneamente. A posição prona deve ser adotada
- A)após 72h à piora da oxigenação e mantida por, no máximo, 4h.
Errada: a prona não é definida por esperar 72 horas nem por ser mantida por apenas 4 horas, pois seu uso na SDRA grave é precoce e costuma exigir sessões mais prolongadas.
- B)após 48h à piora da oxigenação e mantida por, no mínimo, 48h.
Errada: não existe recomendação padrão de iniciar após 48 horas e manter por no mínimo 48 horas; a ideia é usar a manobra de forma precoce quando indicada, e não prender a conduta a esse tempo fixo.
- C)como medida de resgate após 7 dias, na fase proliferativa da SDRA.
Errada: a posição prona não é medida de resgate apenas na fase proliferativa tardia da SDRA, porque seu maior benefício ocorre antes, na fase inicial com mais colabamento e edema.
- D)na fase responsiva (fase exudativa da SDRA) como terapêutica inicial.
Certa: a prona é indicada precocemente, na fase exsudativa da SDRA, como estratégia inicial para melhorar a oxigenação e o recrutamento alveolar.
Gabarito: D
A posição prona virou uma queridinha da terapia intensiva porque melhora a ventilação/perfusão, recruta áreas dorsais do pulmão e ajuda a “desafogar” regiões que ficam mais comprimidas quando o paciente está em decúbito dorsal. Em outras palavras: o pulmão trabalha melhor quando você vira o paciente de bruços, especialmente na SDRA grave. Durante a Covid-19, essa estratégia ganhou ainda mais espaço, inclusive antes da intubação em alguns pacientes com respiração espontânea, como tentativa de melhorar a oxigenação e evitar piora rápida. Na SDRA, a fase inicial, também chamada de fase exsudativa, é o momento em que há mais edema, inflamação e colabamento alveolar. É justamente aí que a prona costuma ser mais útil como terapêutica inicial, porque favorece recrutamento alveolar e melhora a oxigenação de forma mais consistente. Depois, em fases mais tardias, a resposta tende a ser menor e a estratégia deixa de ter o mesmo impacto como intervenção precoce. Por isso o gabarito é a letra D: a prona deve ser adotada na fase responsiva, isto é, na fase exsudativa da SDRA, como medida inicial e não como recurso tardio de resgate. Em prova, a banca costuma trocar isso por prazos inventados ou por fases mais avançadas da doença, para ver se você cai no truque do “quanto mais tarde, melhor”, que aqui não funciona.