O uso de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) está bem indicado para o tratamento de insuficiência respiratória hipoxêmica; entretanto, não está isento de riscos. Qual efeito fisiológico deste recurso que poderá trazer riscos quando o paciente apresentar instabilidade hemodinâmica?
- A)Aumento do débito cardíaco.
Errada, porque o CPAP não tem como efeito principal aumentar o débito cardíaco; em pacientes instáveis, ele tende até a prejudicar a circulação por reduzir o retorno venoso.
- B)Aumento do volume sistólico.
Errada, pois o aumento do volume sistólico não é o efeito esperado do CPAP na instabilidade hemodinâmica; a pressão positiva costuma reduzir a pré-carga e pode diminuir o enchimento ventricular.
- C)Redução do tônus miocárdico.
Errada, porque redução do tônus miocárdico não é o mecanismo fisiológico clássico do CPAP; o problema hemodinâmico está mais ligado à queda da pré-carga.
- D)Redução da pré-carga ventricular.
Certa, pois a pressão positiva intratorácica reduz o retorno venoso e, portanto, a pré-carga ventricular, podendo piorar a hemodinâmica em pacientes instáveis.
Gabarito: D
O CPAP mantém uma pressão positiva constante nas vias aéreas durante todo o ciclo respiratório. Na prática, isso ajuda a abrir alvéolos, melhorar a oxigenação e reduzir o trabalho respiratório, por isso ele é muito usado na insuficiência respiratória hipoxêmica. Só que, como quase tudo na fisiologia, o benefício vem com um custo se o paciente estiver hemodinamicamente instável. A pressão positiva dentro do tórax aumenta a pressão intratorácica e dificulta o retorno venoso ao coração. Com menos sangue chegando ao ventrículo, cai a pré-carga ventricular. Em pacientes que já estão com pressão baixa, desidratação, choque ou outra forma de instabilidade, essa redução do enchimento cardíaco pode piorar bastante a perfusão. É por isso que o gabarito é a letra D. O CPAP pode melhorar a oxigenação, mas ao mesmo tempo reduzir a pré-carga, e esse efeito pode ser perigoso quando o sistema cardiovascular já está no limite. Em fisioterapia respiratória, sempre vale lembrar: o que ajuda o pulmão pode atrapalhar a hemodinâmica se a indicação não for bem escolhida. Então, pense assim: CPAP empurra ar para dentro, mas também pode “segurar” o sangue de voltar para o coração. Se o paciente já está instável, esse detalhe faz toda a diferença.