Considerando o pré e pós-operatório de cirurgias cardíacas, há indicação formal de Programas de Reabilitação Cardíaca (PRC) para prevenir complicações respiratórias. Sobre a prescrição de exercícios em pacientes cardiopatas, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)Testes de capacidade funcional: aplicadas na avaliação dos pacientes como teste de caminhada de seis minutos e Shuttle Walk Test.
Correta, pois testes como o de caminhada de seis minutos e o Shuttle Walk Test são usados para avaliar capacidade funcional em cardiopatas.
- B)Ventilação não-invasiva ou oxigenoterapia: ofertadas para otimizar a reabilitação, aprimorando a oferta de oxigênio e reduzindo o trabalho miocárdico.
Correta, porque oxigenoterapia e ventilação não invasiva podem auxiliar a tolerância ao exercício e a recuperação em pacientes selecionados.
- C)Princípio da sobrecarga: deve ser respeitado, ajustando-se variáveis de treino como: aumento de carga; número de repetições; número de séries; e, tempo de descanso entre as séries.
Correta, já que o treino deve seguir o princípio da sobrecarga com ajuste progressivo de volume e intensidade.
- D)Treinamento Muscular Respiratório (TMI): indicado, principalmente, a pacientes com fraqueza muscular inspiratória, ou seja, valores de pressão inspiratória máxima <70% do previsto.
Correta, pois o treinamento muscular respiratório é indicado especialmente na fraqueza inspiratória, comumente quando a pressão inspiratória máxima está reduzida.
- E)Escala de Borg: não pode ser empregada como forma de quantificar a intensidade do exercício em pacientes em Programas de Reabilitação Cardíaca (PRC); deve ser prescrita apenas baseada na FC de treinamento.
Errada, porque a escala de Borg pode ser usada para orientar e quantificar a intensidade do exercício na reabilitação cardíaca, e a prescrição não deve ficar baseada apenas na frequência cardíaca.
Gabarito: E
Na reabilitação cardíaca, o objetivo não é apenas fazer o paciente voltar a se mexer, mas fazer isso com segurança, monitorização e progressão gradual. Por isso, a prescrição de exercício em cardiopatas costuma considerar capacidade funcional, resposta hemodinâmica, sintomas, saturação e percepção subjetiva de esforço. Em outras palavras: não é treino no escuro, é treino com bússola. Ferramentas como o teste de caminhada de seis minutos e o Shuttle Walk Test ajudam a estimar capacidade funcional e a definir metas realistas. Já recursos como oxigenoterapia e ventilação não invasiva podem ser usados em situações selecionadas para melhorar a tolerância ao esforço e reduzir trabalho respiratório e miocárdico, especialmente em pacientes mais comprometidos. O princípio da sobrecarga também vale aqui: para evoluir, o treino precisa ser ajustado com aumento de carga, repetições, séries ou redução de descanso, sempre respeitando a condição clínica. Além disso, o treinamento muscular inspiratório tem papel importante quando há fraqueza da musculatura respiratória, geralmente avaliada por pressão inspiratória máxima reduzida. O gabarito é a alternativa E porque ela contraria a prática consagrada na reabilitação cardíaca. A escala de Borg pode sim ser usada para quantificar a intensidade do exercício, especialmente quando a frequência cardíaca não é o melhor parâmetro isolado, como em uso de beta-bloqueadores ou em situações de maior variabilidade clínica. Diretrizes e consensos de reabilitação cardíaca recomendam combinar FC, sintomas, percepção de esforço e monitorização clínica, e não restringir a prescrição apenas à frequência cardíaca.