Em 2010, o European Working Group on Sarcopenia in Older People (EWGSOP) publicou uma definição de sarcopenia que visa promover avanços na identificação e cuidado de pessoas com sarcopenia. No início de 2018, o grupo de trabalho se reuniu novamente (EWGSOP2) para atualizar a definição original, a fim de refletir as evidências científicas e clínicas construídas ao longo da última década. Entre as principais atualizações estão:
- A)O EWGSOP2 não recomenda o uso do questionário SARC-F como forma de obter autorrelatos de pacientes sobre sinais característicos de sarcopenia, pois o SARC-F é um questionário de cinco itens que é autorrelatado pelos pacientes como uma triagem para o risco de sarcopenia.
Errada: o EWGSOP2 recomenda o SARC-F como instrumento de rastreio/case finding, e não o rejeita por ser autorrelatado.
- B)Em sua definição de 2018, o EWGSOP2 usa baixa força muscular como parâmetro secundário de sarcopenia; a força muscular é atualmente a medida mais confiável da função muscular e a escala MRC a mais indicada para a avaliação. Especificamente, a sarcopenia é provável quando a baixa força muscular é detectada.O diagnóstico de sarcopenia é confirmado pela presença de baixa quantidade ou qualidade muscular.
Errada: no EWGSOP2 a baixa força muscular é o principal critério para suspeita de sarcopenia, e a MRC não é a escala indicada para esse fim.
- C)As recomendações atualizadas do EWGSOP2 visam aumentar a conscientização sobre a sarcopenia e seu risco. Com essas novas recomendações, o EWGSOP2 convoca os profissionais de saúde que tratam pacientes com risco de sarcopenia a tomarem medidas que promovam a detecção e o tratamento precoces. Entre os instrumentos de maior confiabilidade e reprodutibilidade na prática clínica, indicados pelo grupo de trabalho de 2018, está a Escala de Lee.
Errada: a Escala de Lee não é um dos instrumentos centrais recomendados pelo EWGSOP2 para rastreio ou diagnóstico de sarcopenia.
- D)A sarcopenia agora é formalmente reconhecida como uma doença muscular com um código de diagnóstico ICD-10-MC, que pode ser usado para cobrar pelo atendimento em alguns países. Embora os profissionais de saúde hoje sejam melhores em reconhecer a sarcopenia, muitos achados de pesquisas ainda não foram traduzidos para a prática clínica. Para esse fim, o EWGSOP2 usa as evidências mais recentes para delinear critérios e ferramentas claros que definem e caracterizam a sarcopenia na prática clínica e em populações de pesquisa. O EWGSOP2 enfatiza que os profissionais têm possibilidades cada vez maiores de prevenir, retardar, tratar e, às vezes, até reverter a sarcopenia por meio de intervenções precoces e eficazes.
Certa: descreve corretamente o reconhecimento da sarcopenia como doença muscular, o código diagnóstico e a ênfase em detecção e intervenção precoces.
Gabarito: D
A EWGSOP2, publicada em 2018, mudou o foco da sarcopenia: antes, a perda de massa muscular tinha mais peso; agora, a porta de entrada é a força muscular. Na prática, isso significa que, se a pessoa tem baixa força, você já levanta a suspeita de sarcopenia e segue a investigação com avaliação de quantidade ou qualidade muscular. É quase como dizer: primeiro olhe se o motor está fraco, depois veja se o tanque está vazio. Outra atualização importante foi o reforco do raciocinio clinico em etapas: identificar, confirmar e classificar a gravidade. O EWGSOP2 também valorizou o uso de instrumentos simples e reproduzíveis na rotina, como o SARC-F para rastreio e medidas funcionais e de força, deixando claro que a avaliação deve ser prática e aplicável na assistência. O gabarito é a alternativa D porque ela resume corretamente as principais mudanças do EWGSOP2: reconhecimento formal da sarcopenia como doença muscular, presença de código na CID-10, necessidade de traduzir melhor a evidência para a prática clínica e ênfase em prevenção, tratamento precoce e até reversão em alguns casos. Esse é exatamente o espírito da atualização: sair do diagnóstico tardio e ir para a ação antes que o paciente perca mais função. Nas demais alternativas há erros conceituais clássicos. O EWGSOP2 não despreza o SARC-F, nem usa a escala MRC como principal ferramenta para sarcopenia. Também não adota a Escala de Lee como instrumento de destaque na prática clínica. Em resumo: a banca quis testar se você sabia que, hoje, força muscular vem primeiro e a sarcopenia ganhou status mais claro de doença.