Comumente, o medo do movimento é chamado de cinesiofobia, sendo um dos mais importantes fatores psicossociais que contribuem para a incapacidade funcional e o prognóstico desfavorável da evolução clínica de pacientes com queixa de dor musculoesquelética crônica. A cinesiofobia ganhou popularidade entre os profissionais de saúde que avaliam e utilizam o movimento do corpo como forma de tratamento para a dor. A dor é uma experiência sensitiva e emocional desagradável para a maioria das pessoas. Sentir dor depende de lesão real ou potencial ou da forma como uma pessoa descreve a sua dor (por exemplo, como sinônimo de lesão). Muitas vezes aversiva, a experiência dolorosa tem componentes físicos, emocionais, cognitivos, comportamentais e sociais envolvidos. Dessa forma, quando uma pessoa tem medo de sentir dor ou de se machucar, passa a evitar atividades específicas ou do seu cotidiano. A sensação de estar vulnerável à dor e/ou à lesão contribui, de forma significativa, para limitações na funcionalidade geral de um indivíduo (por exemplo, atividade física, alimentação, sono, higiene pessoal), provocando os efeitos deletérios do imobilismo e da inatividade física. Se um paciente aprende a ter medo de se movimentar, deve-se, então, reinserir o movimento ou a atividade com segurança, de forma viável e educativa, para que ele possa aprender e entender que mover seu corpo é algo natural e importante para a sua saúde. Sobre a definição dos termos empregados em estudos da cinesiofobia, relacione adequadamente as colunas a seguir. 1. Medo. 2. Ansiedade. 3. Fobia. 4. Catastrofização. 5. Evitação. 6. Condicionamento clássico. 7. Estímulo não condicionado. ( ) Medo exagerado, excessivo e persistente, irracional, desproporcional e incontrolável. ( ) Aprendizado associativo quando um estímulo (não condicionado) se torna capaz de provocar as respostas que antes eram de um outro estímulo (condicionado). ( ) Estímulo que incondicionalmente provoca respostas fisiológicas, naturais e automáticas. ( ) Emoção, geralmente desagradável, que surge em resposta a algo ameaçador. ( ) Traço de personalidade que envolve o pessimismo sobre os acontecimentos passados e futuros, sempre com resultados negativos. ( ) Emoção que antecede momentos de perigo real ou potencial, com múltiplos sintomas, sem o conhecimento da fonte da ameaça. ( ) Comportamento de esquiva para não se expor a atividades e/ou situações ameaçadoras. A sequência está correta em
- A)7, 1, 6, 2, 5, 3, 4.
Errada, porque começa com estímulo não condicionado e medo, mas os conceitos do enunciado pedem primeiro fobia e depois condicionamento clássico.
- B)1, 2, 5, 6, 7, 4, 3.
Errada, porque mistura medo, ansiedade e evitação logo no início, trocando definições que são bem diferentes entre si.
- C)5, 6, 3, 4, 7, 2, 1.
Errada, porque embaralha quase todos os conceitos e coloca evitação, fobia e catastrofização em posições incompatíveis com as definições.
- D)3, 6, 7, 1, 4, 2, 5.
Certa, porque a ordem das definições corresponde exatamente a fobia, condicionamento clássico, estímulo não condicionado, medo, catastrofização, ansiedade e evitação.
Gabarito: D
Na cinesiofobia, o ponto central é entender que nem todo medo é igual. Medo é uma reação mais direta a uma ameaça conhecida ou percebida. Ansiedade é aquela apreensão mais difusa, com sensação de alerta, mas sem a fonte da ameaça tão clara. Já a fobia é um medo exagerado, persistente, irracional e desproporcional, exatamente como a banca descreve no primeiro item. Outro trio importante é: catastrofização, evitação e condicionamento clássico. Catastrofização é quando a pessoa passa a interpretar tudo pelo pior cenário possível, com expectativa negativa sobre passado e futuro. Evitação é o comportamento de fugir da atividade ou situação para não sentir dor, medo ou desconforto. E o condicionamento clássico é o aprendizado por associação: um estímulo que antes era neutro passa a provocar resposta depois de ser associado a outro estímulo. Na frase sobre o estímulo que provoca resposta automática, estamos falando do estímulo não condicionado, que já dispara respostas naturais sem precisar de aprendizagem. Esse tipo de detalhe cai bastante porque a banca troca os conceitos de propósito, como quem mistura caixa de remédio na gaveta errada para ver se você percebe. Por isso, a sequência correta é: fobia, condicionamento clássico, estímulo não condicionado, medo, catastrofização, ansiedade e evitação. Isso corresponde à alternativa D. Em fisioterapia, esse raciocínio é útil porque a abordagem da dor crônica costuma envolver educação em dor e reintrodução gradual do movimento, para quebrar o ciclo medo-evitação.