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Fisioterapia · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Fisioterapia

Pacientes com IMC ≥ 30 Kg/m2 são considerados obesos; tal situação resulta em alterações fisiológicas, como a redução da complacência pulmonar devido ao acúmulo de gordura; mudanças na posição do diafragma; diminuição da Capacidade Residual Funcional – CRF; e, Capacidade Pulmonar Total – CPT, juntamente com um aumento no trabalho respiratório devido à resistência das vias aéreas e da parede torácica, resultando em maior volume por minuto e elevação da PaCO2. Sobre o suporte respiratório desses pacientes, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: A

A obesidade muda bastante a mecânica respiratória: o abdome empurra o diafragma para cima, a complacência cai e a capacidade residual funcional despenca. Resultado prático? O pulmão fica mais "apertado", o trabalho ventilatório aumenta e a ventilação mecânica precisa ser cuidadosa para não gerar lesão por excesso de pressão ou volume. Na ventilação mecânica desses pacientes, a ideia não é sair entregando volume corrente alto porque o tórax pede socorro. Pelo contrário: costuma-se usar estratégia protetora, com volumes mais baixos e atenção rigorosa às pressões de insuflação. Em pacientes obesos, o limite de pressão de platô costuma ser mantido em torno de 35 cm H2O, justamente para reduzir risco de barotrauma e volutrauma. É por isso que a alternativa A está correta. A banca cobra a lógica da ventilação protetora no obeso: pulmão mais vulnerável, pressão monitorada de perto e cuidado com a mecânica alterada. Já dizer que não se deve usar VNI ou que se deve abandonar o suporte não invasivo em hipercapnia é ir contra a prática baseada em evidências, que frequentemente se beneficia da VNI nesses casos. Em resumo: obeso grave não é caso de "encher mais" o pulmão, e sim de ventilar com estratégia, monitorando pressão, volume e resposta clínica. O raciocínio da questão é esse, bem estilo concurso: menos impulso, mais técnica.

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