Pacientes com IMC ≥ 30 Kg/m2 são considerados obesos; tal situação resulta em alterações fisiológicas, como a redução da complacência pulmonar devido ao acúmulo de gordura; mudanças na posição do diafragma; diminuição da Capacidade Residual Funcional – CRF; e, Capacidade Pulmonar Total – CPT, juntamente com um aumento no trabalho respiratório devido à resistência das vias aéreas e da parede torácica, resultando em maior volume por minuto e elevação da PaCO2. Sobre o suporte respiratório desses pacientes, assinale a afirmativa correta.
- A)Recomenda-se limitar pressão de Platô ≤ 35 cm H2O.
Correta: em obesos ventilados, recomenda-se limitar a pressão de platô em até 35 cm H2O para reduzir risco de lesão pulmonar.
- B)Deve-se utilizar um volume corrente de 6 ml/ kg de peso real.
Errada: o volume corrente não deve ser calculado pelo peso real em obesos, e sim por peso predito/ideal, para evitar hiperdistensão.
- C)Não utilizar VNI pós-extubação em obesos com IMC ≥ 40 Kg/m2.
Errada: a VNI pós-extubação pode ser benéfica em pacientes obesos, inclusive em grupos de maior risco, ajudando a prevenir falha respiratória.
- D)Não utilizar ventilação Não-Invasiva (VNI) em casos de insuficiência respiratória hipercápnica por não ter efeitos benéficos em obesos.
Errada: a VNI pode trazer benefício na insuficiência respiratória hipercápnica em obesos, não sendo contraindicada por falta de efeito.
Gabarito: A
A obesidade muda bastante a mecânica respiratória: o abdome empurra o diafragma para cima, a complacência cai e a capacidade residual funcional despenca. Resultado prático? O pulmão fica mais "apertado", o trabalho ventilatório aumenta e a ventilação mecânica precisa ser cuidadosa para não gerar lesão por excesso de pressão ou volume. Na ventilação mecânica desses pacientes, a ideia não é sair entregando volume corrente alto porque o tórax pede socorro. Pelo contrário: costuma-se usar estratégia protetora, com volumes mais baixos e atenção rigorosa às pressões de insuflação. Em pacientes obesos, o limite de pressão de platô costuma ser mantido em torno de 35 cm H2O, justamente para reduzir risco de barotrauma e volutrauma. É por isso que a alternativa A está correta. A banca cobra a lógica da ventilação protetora no obeso: pulmão mais vulnerável, pressão monitorada de perto e cuidado com a mecânica alterada. Já dizer que não se deve usar VNI ou que se deve abandonar o suporte não invasivo em hipercapnia é ir contra a prática baseada em evidências, que frequentemente se beneficia da VNI nesses casos. Em resumo: obeso grave não é caso de "encher mais" o pulmão, e sim de ventilar com estratégia, monitorando pressão, volume e resposta clínica. O raciocínio da questão é esse, bem estilo concurso: menos impulso, mais técnica.