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Fisioterapia · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Fisioterapia

As lesões ligamentares do tornozelo constituem as patologias traumáticas mais frequentes na prática de esportes e da população em geral. Muitas vezes, tais lesões são menosprezadas pelos médicos e pacientes, podendo causar sintomas residuais e até sequelas permanentes. Por outro lado, cerca de 80 a 90% de todas as lesões do tornozelo, quando adequadamente tratadas, evoluem com resultados satisfatórios. A entorse lateral do tornozelo é mais frequente, sendo o trauma em inversão, que envolve os extremos de inversão do retropé e a rotação externa da tíbia, o principal mecanismo de lesão, responsável por 70 a 85% das lesões de tornozelo. Ele envolve o complexo ligamentar lateral e pode ser doloroso e debilitante por várias semanas. Um número expressivo de pacientes, cerca de 33%, queixa-se de dor, inchaço e rigidez após doze meses da lesão. Após cinco anos, quase 20% dos pacientes relatam que as queixas são persistentes. Além das queixas, um risco aumentado de entorse recorrente está, especialmente, presente no primeiro ano após a entorse inicial. Estudos com acompanhamento de longo prazo (5 a 7 anos) mostraram que, após uma entorse inicial, até 20% dos pacientes relataram lesões recorrentes. Uma das técnicas utilizadas para o tratamento das entorses de tornozelo são as mobilizações articulares. Sobre a mobilização manual como parte do tratamento de entorse do tornozelo, analise as afirmativas a seguir. I. A mobilização manual da articulação pode fornecer um aumento de curto prazo na ADM de dorsiflexão da articulação do tornozelo após entorse lateral aguda. II. As mobilizações talocrurais levam a menos tempo e menos recursos de tratamento; porém, pioram a velocidade da passada na marcha. III. Embora não seja possível sobrecarregar o tecido lesado durante a fase de inflamação nos primeiros dias após o trauma, a manipulação da fáscia pode ser possível nos tecidos conjuntivos circundantes. Está correto o que se afirma apenas em

Gabarito: C

Na entorse lateral de tornozelo, especialmente quando há restrição de dorsiflexão, a mobilização articular entra como um recurso bem útil para devolver movimento e reduzir limitações funcionais. A ideia aqui é simples: você ajuda a articulação a “destravar” sem forçar demais o tecido lesionado, o que costuma ser mais seguro e mais eficiente do que deixar o tornozelo “quietinho” por tempo demais. A afirmativa I está correta porque a mobilização manual pode, sim, produzir ganho de curto prazo na amplitude de movimento de dorsiflexão após entorse lateral aguda. Isso é esperado na prática clínica e é coerente com a literatura de reabilitação, que aponta melhora rápida da ADM e da função quando a técnica é bem indicada. A afirmativa II está errada. Mobilizações talocrurais não são usadas para piorar a marcha nem para “estragar” a velocidade da passada; ao contrário, costumam ser associadas a melhora da dorsiflexão, da mecânica da marcha e da função global. Então essa ideia de mais tempo, mais recurso e pior marcha não fecha com o efeito terapêutico esperado. A afirmativa III está correta porque, nos primeiros dias após o trauma, realmente não se deve sobrecarregar o tecido lesado em inflamação aguda. Mesmo assim, técnicas manuais mais suaves, como manipulação/mobilização de tecidos conjuntivos ao redor, podem ser usadas de forma criteriosa nos tecidos vizinhos, respeitando dor, edema e irritabilidade local. Por isso, o gabarito é C: apenas I e III estão certas.

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