Pacientes, pós-unidade de terapia intensiva, podem apresentar uma síndrome caracterizada por fraqueza muscular periférica e respiratória, com declínio funcional e cognitivo. Considerando as características da fraqueza muscular adquirida na UTI, os grupos musculares comprometidos mais precoce e profundamente são
- A)da cintura pélvica e escapular.
Certa, porque os músculos da cintura pélvica e escapular são proximais e costumam ser os mais precocemente e intensamente afetados na fraqueza adquirida na UTI.
- B)da face, envolvidos com expressão facial.
Errada, porque a musculatura da face não é o principal alvo dessa síndrome, que tipicamente poupa esse grupo no padrão clássico de fraqueza.
- C)periféricos, envolvidos com articulação de joelho e cotovelo.
Errada, porque joelho e cotovelo envolvem segmentos mais distais do que a cintura escapular e pélvica, e não representam o padrão mais precoce e profundo de acometimento.
- D)periféricos, envolvidos com articulação de tornozelo e punho.
Errada, porque punho e tornozelo são musculaturas mais distais, enquanto a fraqueza da UTI costuma aparecer primeiro nos músculos proximais.
Gabarito: A
A fraqueza muscular adquirida na UTI faz parte da chamada síndrome do paciente crítico, muito cobrada em fisioterapia. Ela aparece em pacientes que ficaram internados, muitas vezes sedados, imobilizados e com inflamação sistêmica, e pode atingir tanto a musculatura periférica quanto a respiratória, reduzindo força, funcionalidade e até a recuperação cognitiva e motora. Em geral, o prejuízo não “escolhe” qualquer músculo ao acaso: ele tende a ser mais intenso nos músculos proximais, que são os que ajudam nos grandes movimentos do corpo. É por isso que a alternativa A está correta. A cintura pélvica e a cintura escapular concentram musculatura proximal, e esses grupos costumam ser comprometidos de forma mais precoce e profunda na fraqueza adquirida na UTI. Na prática, o paciente passa a ter dificuldade para levantar os braços, sentar-se, ficar em pé e caminhar, como se o corpo perdesse a “base” dos movimentos maiores. Esse padrão é descrito na literatura de fisioterapia intensiva e medicina crítica, especialmente na miopatia e na polineuropatia do paciente crítico, que cursam com fraqueza simétrica e predominância em músculos proximais. Por isso, ao pensar em reabilitação, a avaliação da força de ombros, quadris e tronco ganha muito destaque. Resumindo: na UTI, o problema costuma atacar primeiro o que faz o corpo se mover com mais força e amplitude, não apenas os músculos mais distais.