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Fisioterapia · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Fisioterapia

De 1990 a 2015, o número de pessoas com doença de Parkinson (DP) dobrou para mais de 6 milhões. Impulsionado principalmente pelo envelhecimento, esse número deve dobrar novamente para mais de 12 milhões até 2040. Fatores adicionais, incluindo aumento da longevidade, declínio das taxas de tabagismo e aumento da industrialização, podem elevar o fardo para mais de 17 milhões. Entre as diversas condutas terapêuticas para tratar e beneficiar esses pacientes, exercícios de dupla tarefa é uma modalidade de interferência cognitivo-motora, com a tarefa primária geralmente postural, em associação com outras tarefas, chamadas secundárias, que podem ser cognitivas ou motoras, com excelentes resultados, mas deve-se pensar na fundamentação dessa conduta e assim inferir que:

Gabarito: C

Na doença de Parkinson, a marcha e o equilíbrio costumam perder a automaticidade. Isso significa que ações que antes saíam “no piloto automático” passam a exigir mais atenção consciente do paciente. Por isso, quando aparece uma dupla tarefa, como andar e ao mesmo tempo fazer uma conta ou carregar um objeto, o cérebro precisa dividir recursos e o desempenho pode piorar. A lógica por trás do treino de dupla tarefa é justamente expor o paciente a essa exigência para melhorar o controle motor em situações parecidas com a vida real. Em termos simples, você treina o corpo a não “se atrapalhar” tanto quando a mente está ocupada com outra coisa. Isso é especialmente relevante porque a DP envolve disfunção dos gânglios da base, circuito importante para a execução automática dos movimentos. O gabarito está na alternativa C porque ela descreve bem esse mecanismo: o paciente com DP tende a usar mais o córtex pré-motor e outras áreas corticais quando precisa focar para executar o movimento, compensando a falha dos circuitos automáticos dos gânglios da base. Só que, em dupla tarefa, esse recrutamento cortical fica dividido entre duas atividades, e o desempenho de ambas pode cair. Na prática fisioterapêutica, isso ajuda a entender por que a dupla tarefa não é “frescura” nem só um detalhe do exercício. Ela tem base neurofisiológica e é útil para trabalhar marcha, equilíbrio e função executiva, desde que seja bem dosada e segura para o nível funcional do paciente.

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