Paciente feminino, 45 anos, procura atendimento fisioterapêutico devido a comprometimento da marcha. Teve alta hospitalar após período internado em terapia intensiva com história de sepse, e síndrome do desconforto respiratório agudo, com necessidade de manter-se em posição prona por longos períodos. O fisioterapeuta constata que os músculos responsáveis pela dorsiflexão do tornozelo estão comprometidos, pois o paciente apresenta marcha com a ponta do pé arrastando no chão e com flexão excessiva de joelho e quadril do mesmo lado, em movimento compensatório. Essas características são comuns em uma das condições a seguir; assinale-a.
- A)Marcha escavante
Certa: é a marcha escavante, típica de fraqueza dos dorsiflexores do tornozelo, com arraste do pé e aumento compensatório de flexão de quadril e joelho.
- B)Marcha hemiparética.
Errada: a marcha hemiparética costuma ter espasticidade e padrão em semicírculo do membro inferior, não o arraste por pé caído.
- C)Claudicação do psoas.
Errada: a claudicação do psoas se relaciona mais a dor ou fraqueza do flexor do quadril, sem o padrão clássico de pé caído.
- D)Marcha de Trendelemburg.
Errada: a marcha de Trendelenburg decorre de fraqueza dos abdutores do quadril, com queda pélvica contralateral, e não de dorsiflexão prejudicada.
Gabarito: A
Quando voce pensa em marcha, vale lembrar que o corpo adora compensar. Se um grupo muscular falha, outro entra em cena para evitar que o pé arraste no chão. No caso descrito, o problema principal é a fraqueza dos dorsiflexores do tornozelo, principalmente o tibial anterior. Sem essa ação, o pé fica em queda, e a pessoa passa a arrastar a ponta do pé durante a fase de balanço da marcha. Para não tropeçar, o paciente costuma fazer uma compensação bem característica: aumenta a flexão de joelho e quadril do mesmo lado, como se estivesse “levantando mais a perna” para passar com o pé. Esse padrão é clássico da marcha escavante, também chamada de marcha steppage ou marcha do pé caído. Esse quadro pode aparecer em lesões do nervo fibular comum, neuropatias periféricas ou situações de descondicionamento importante após internação prolongada, como no contexto descrito. A lógica é simples: se o tornozelo não dorsiflete, o membro precisa subir mais para o pé não raspar no chão. O corpo sempre dá um jeitinho, mas cobra a conta com uma marcha bem peculiar. Por isso, o gabarito A está correto. As outras alternativas descrevem outros padrões de marcha e não a dificuldade de dorsiflexão com arraste da ponta do pé e elevação compensatória de joelho e quadril.