O conhecimento dos fatores associados às alterações de equilíbrio corporal dos idosos é de fundamental importância, uma vez que auxilia na adoção de estratégias preventivas mais adequadas e específicas voltadas para atenuar os efeitos deletérios de certos determinantes. O equilíbrio corporal é fator primordial para a orientação do indivíduo no espaço circundante. É um processo automático que possibilita ao indivíduo se mover no meio ambiente e resistir à desestabilização da gravidade. Nele, o Sistema Nervoso Central (SNC) precisa de acurada percepção do senso interno da posição dos segmentos corporais; uns em relação aos outros e destes em relação ao espaço. O processo fisiológico do envelhecimento compromete, dentre outros sistemas corporais, a habilidade do SNC em realizar o processamento dos sinais vestibulares, visuais e proprioceptivos responsáveis pela manutenção do equilíbrio corporal, bem como diminuir a capacidade de modificações dos reflexos adaptativos. Esses processos degenerativos são responsáveis pela ocorrência de vertigem e/ou tontura e de desequilíbrio na população idosa. O conceito de fragilidade não é novo, mas é recente a sistematização de informações que possibilitam a observação de que um idoso está frágil e, consequentemente, vulnerável aos efeitos adversos de estresses. Em geral, os idosos percebidos como frágeis são aqueles que apresentam riscos mais elevados para desfechos clínicos adversos, tais como: dependência; institucionalização; quedas; piora do quadro de doenças crônicas; doenças agudas; hospitalização; lenta ou ausente recuperação de um quadro clínico; e, morte. Os sinais e sintomas de fragilidade são preditores de diversas complicações futuras em sua saúde, o que torna esta condição um importante problema de saúde pública. A fragilidade em idosos é caracterizada como uma síndrome clínica que envolve cinco componentes; assinale-os.
- A)Fadiga; fraqueza; sedentarismo; marcha com velocidade diminuída; e, perda auditiva.
Errada, porque mistura fadiga e fraqueza com sedentarismo e perda auditiva, que não compõem os cinco critérios clássicos da fragilidade.
- B)Perda de acuidade visual; perda de acuidade auditiva; perda de peso; fadiga; e, sarcopenia.
Errada, pois inclui perda de acuidade visual e auditiva e sarcopenia, termos relacionados ao envelhecimento, mas não aos componentes do fenótipo de fragilidade.
- C)Perda de peso não intencional; autorrelato de fadiga; diminuição da força; redução das atividades físicas; e, diminuição na velocidade da marcha.
Certa, porque traz os cinco componentes do fenótipo de fragilidade descritos por Fried: perda de peso não intencional, fadiga, diminuição da força, redução das atividades físicas e marcha lenta.
- D)Marcha reduzida pelo sedentarismo; perda de peso não intencional; incontinência; diminuição de força muscular; e, perda da acuidade visual e auditiva.
Errada, porque inclui incontinência e perda de acuidade visual e auditiva, que podem aparecer em idosos, mas não fazem parte da definição clássica de fragilidade.
Gabarito: C
A fragilidade no idoso é uma síndrome clínica ligada à queda de reserva funcional e maior vulnerabilidade a estressores, como infecções, internações e quedas. Na prática, ela aparece como um conjunto de sinais que parecem simples isoladamente, mas juntos contam uma história bem importante: o corpo vai perdendo força, energia e capacidade de manter o ritmo do dia a dia. O modelo mais cobrado em provas é o fenótipo de Fried, que descreve cinco componentes clássicos da fragilidade: perda de peso não intencional, autorrelato de fadiga, diminuição da força, redução das atividades físicas e diminuição da velocidade da marcha. Se voce decorou esse quinteto, já tem boa parte da questão resolvida. É quase um 'combo' do envelhecimento funcional descompensado. Por isso, o gabarito está na alternativa C, porque ela traz exatamente esses cinco critérios. As demais trocam elementos centrais por achismos comuns em geriatria, como perda auditiva, visual, sedentarismo genérico ou incontinência, que podem coexistir no idoso, mas não definem o fenótipo de fragilidade. Em termos doutrinários, a fragilidade é tratada como síndrome geriátrica associada a maior risco de eventos adversos e declínio funcional. Em concursos, o ponto mais cobrado é a lista dos critérios de Fried, então vale fixar a sequência e não cair nas substituições que a banca adora colocar.