O mundo é a minha representação. — Esta proposição é uma verdade para todo ser vivo e pensante, embora só no homem chegue a transformar-se em conhecimento abstrato e refletido. SCHOPENHAUER, A. O mundo como vontade e representação. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001. Segundo Schopenhauer, afirmar que o mundo é representação, significa que o mundo é
- A)dependente da relação entre o sujeito que percebe e os objetos percebidos.
Correta, porque para Schopenhauer o mundo como representação existe na relação entre sujeito que conhece e objeto conhecido.
- B)a soma das percepções sensíveis organizadas pela experiência prática.
Errada, porque reduz a posição de Schopenhauer a uma síntese empirista de percepções pela experiência prática.
- C)formado pelas ideias inatas presentes por intervenção divina na mente humana.
Errada, pois isso remete ao racionalismo e à teoria das ideias inatas, não ao pensamento de Schopenhauer.
- D)o conjunto das coisas em si, que se revelam diretamente à consciência.
Errada, porque Schopenhauer distingue a representação da coisa em si, que não se revela diretamente à consciência.
- E)uma ilusão que deve ser superada pela razão para se alcançar o verdadeiro conhecimento.
Errada, porque o mundo como representação não é uma mera ilusão a ser superada pela razão, mas a forma como o mundo aparece ao sujeito.
Gabarito: A
Schopenhauer parte de uma ideia central: o mundo, para nós, aparece sempre como representação. Isso quer dizer que não acessamos a realidade de modo neutro, como se ela viesse pronta e “pura” para a mente. O que conhecemos já passa pela relação entre quem percebe e o que é percebido. Em outras palavras, sujeito e objeto caminham juntos: sem sujeito não há representação, e sem objeto também não há o que representar. Essa formulação vem da influência kantiana. Assim como em Kant, há uma diferença entre aquilo que aparece para nós e a coisa em si. Schopenhauer insiste que o mundo que experimentamos é o mundo fenomênico, isto é, o mundo tal como se mostra à consciência. Por isso, dizer que o mundo é representação não significa que ele seja uma fantasia qualquer, mas que ele existe para nós mediado pela consciência. É exatamente por isso que a alternativa A está correta: o mundo depende da relação entre o sujeito que percebe e os objetos percebidos. Não se trata de uma realidade isolada, pronta e absolutamente independente da experiência, mas de algo que só se constitui enquanto aparece a um sujeito. Para Schopenhauer, a representação é a forma básica do conhecimento humano. As demais alternativas escorregam em outras teorias: umas falam de empirismo, outras de ideias inatas, outras ainda confundem representação com coisa em si ou com simples ilusão. Aqui, a chave é perceber que Schopenhauer não está negando o mundo, mas explicando como ele se apresenta à consciência.