A Filosofia Moderna, desde Descartes a Hegel, seria uma reflexão crítica sobre o fato da nova ciência, seria a ciência que se sabe a si mesma. ZUBIRI, Xavier. Sobre el problema de la filosofia. Revista del Ocidente, 1933, p.53. (Adaptado) Considerando a filosofia cartesiana, avalie as afirmações a seguir. I. Para Descartes, o Ser e sua estrutura são criações arbitrárias de Deus. II. Estão entre os princípios dessa filosofia: Dúvida metódica e o cogito. III. A bondade não implica uma livre decisão da vontade. IV. O pensar enquanto tal, não possui e não implica segurança ontológica. É correto apenas o que se afirma em
- A)I e II.
Correta, porque I e II estão de acordo com o cartesianismo: Deus fundamenta a ordem do ser e a dúvida metódica leva ao cogito.
- B)I, II, II e IV.
Incorreta, porque a redação está inconsistente e mistura afirmações que não formam o conjunto correto pedido pela questão.
- C)IV e I.
Incorreta, porque a alternativa reúne apenas afirmativas que não correspondem ao núcleo da filosofia de Descartes.
- D)III e II.
Incorreta, porque III e II não formam o par correto: a II é verdadeira, mas a III contraria a visão cartesiana sobre vontade, verdade e bondade.
- E)IV.
Incorreta, porque a IV nega justamente a segurança do pensamento, algo incompatível com o cogito cartesiano.
Gabarito: A
A filosofia de Descartes marca o início da modernidade filosófica porque coloca o sujeito pensante no centro da busca pela certeza. Em vez de aceitar o mundo e as ideias prontas, ele propõe a dúvida metódica: duvidar de tudo o que puder ser posto em questão para encontrar algo absolutamente seguro. É daí que nasce o famoso cogito, "penso, logo existo", que vira ponto de partida do conhecimento. Na visão cartesiana, Deus é a garantia última da verdade e da ordem do mundo. Por isso, faz sentido dizer que o ser e sua estrutura dependem de Deus, e não de uma realidade autônoma independente da razão divina. Descartes também usa a bondade divina para sustentar que Deus, sendo perfeito, não engana o homem quando este usa corretamente a razão. Por isso, o gabarito A está correto: as afirmações I e II estão certas. A I corresponde ao papel de Deus na fundamentação do ser e da verdade em Descartes, e a II traz dois pilares centrais do cartesianismo, a dúvida metódica e o cogito. Já as demais afirmações distorcem a filosofia cartesiana, principalmente ao negar a segurança do pensamento e ao contrariar o papel da vontade e da verdade.