Com relação às modalidades de raciocínio e inferência, avalie os itens a seguir. I. “O Sol nasceu todos os dias até hoje; portanto, é provável que o Sol nascerá amanhã” é um exemplo de abdução. II. “A grama está molhada; se tivesse chovido, isso explicaria a grama molhada; logo, talvez tenha chovido” é um exemplo de indução. III. “Todos os seres humanos são mortais; Carlos é um ser humano; logo, Carlos é mortal” é um exemplo de dedução. É correto o que se afirma em
- A)I, II e III.
Errada, porque o item I não é abdução e o item II também está classificado de forma incorreta.
- B)I e II, apenas.
Errada, porque o item I não é abdução e o item II é abdução, não indução.
- C)I e III, apenas.
Errada, porque o item I não é abdução, embora o item III esteja correto como dedução.
- D)II e III, apenas.
Errada, porque o item II não é indução, embora o item III seja dedução.
- E)III, apenas.
Certa, porque apenas o item III descreve corretamente uma dedução.
Gabarito: E
A questão cobra a diferença clássica entre dedução, indução e abdução. Na dedução, você parte de premissas gerais e chega a uma conclusão necessária, como num silogismo: se as premissas forem verdadeiras e a forma estiver correta, a conclusão também será. Na indução, você observa casos particulares e formula uma generalização ou uma conclusão provável. Já a abdução é o raciocínio da melhor explicação: diante de um fato observado, você levanta a hipótese que melhor o explica, mas sem garantia de certeza. No item I, a ideia de que o Sol nasceu todos os dias e, por isso, provavelmente nascerá amanhã, é indução, porque há uma projeção do observado para o futuro. Não é abdução, pois não se está propondo uma explicação para um fato, mas uma expectativa baseada em repetição. No item II, a grama molhada leva à hipótese de chuva como explicação provável. Isso é abdução, não indução. A palavra-chave aqui é justamente a explicação: "se tivesse chovido, isso explicaria". É o tipo de raciocínio que Sherlock adoraria, mas que a lógica formal trata com cautela. No item III, temos um exemplo perfeito de dedução: todos os humanos são mortais, Carlos é humano, logo Carlos é mortal. A conclusão decorre necessariamente das premissas. Por isso, somente o item III está correto, e o gabarito é a letra E.