Os sofistas são um momento necessário da história da filosofia: eles refutam a abstração vazia do ser eleático [de Parmênides] pela consideração das coisas efetivas, da realidade do mundo sensível e vivo, pluralidade, movimento, subjetividade. CASSIN, B. O efeito sofístico. São Paulo: Editora 34, 2005. (Adaptado.) A leitura tradicional a respeito dos sofistas é tributária da interpretação platônico-aristotélica. A relação do trecho acima com essa interpretação é de
- A)concordância, pois a tradição platônico-aristotélica não se propunha a uma compreensão da realidade.
Errada, porque a tradição platônico-aristotélica justamente buscava compreender a realidade e criticava os sofistas por afastarem-se da verdade.
- B)discordância, pois ignora a convergência entre as ideias de Parmênides e pensadores como Górgias.
Errada, porque não é a convergência entre Parmênides e Górgias que está em jogo, e sim a crítica à forma como os sofistas foram retratados pela tradição.
- C)concordância, pois reconhece o papel fundamental da sofística no cenário intelectual grego.
Errada, porque o trecho não concorda com a leitura tradicional; ele revaloriza os sofistas em vez de apenas reconhecer seu papel de modo neutro.
- D)discordância, pois os sofistas foram tomados por seus adversários como meros polemistas.
Certa, porque os sofistas foram frequentemente apresentados por seus adversários como especialistas em disputa verbal e polemização, o que contrasta com a valorização feita no trecho.
- E)concordância, pois está em harmonia com a ideia de que o conhecimento sensível só é possível pela retórica.
Errada, porque a tradição platônico-aristotélica não sustenta que o conhecimento sensível dependa da retórica; ao contrário, ela costuma distinguir opinião persuasiva de conhecimento verdadeiro.
Gabarito: D
A leitura tradicional sobre os sofistas veio, em grande parte, pela lente de Platão e Aristóteles. Como esses dois autores brigavam com os sofistas no campo das ideias e da educação, acabaram desenhando uma imagem bem negativa deles: os sofistas apareceram como mestres da persuasão, do discurso bonito e da disputa verbal, mais interessados em vencer debates do que em buscar a verdade. Em outras palavras, os adversários falaram, e a história ouviu por muito tempo com esses óculos tortos.