Na Crítica da Faculdade de Julgar, Immanuel Kant diferencia a fruição relativa ao belo tanto daquela envolvendo o que é bom quanto a que envolve o que é agradável. Assinale a opção correta, segundo essa distinção kantiana.
- A)O agradável é experimentado de forma desinteressada e universalmente comunicável.
Errada, porque o agradável é justamente ligado ao interesse sensível e ao gosto individual, não a um juízo desinteressado e universal.
- B)O belo está relacionado aos fins morais, sendo apreciado por seu valor prático e ético.
Errada, porque o belo não é definido por fins morais ou valor prático, mas por um prazer desinteressado sem utilidade.
- C)O bom é apreciado exclusivamente pelo prazer sensível que desperta a cada indivíduo.
Errada, porque o bom não se reduz a prazer sensível; ele envolve conceito, finalidade e avaliação racional ou moral.
- D)O belo é desvinculado de conceitos ou utilidades e tem uma pretensão à universalidade.
Certa, porque o belo para Kant não depende de conceito nem de utilidade e, ainda assim, reivindica validade universal.
- E)O agradável está ligado a um prazer intrínseco que todos compartilham igualmente.
Errada, porque o agradável não é intrinsecamente universal nem igualmente compartilhado por todos; ele varia conforme cada pessoa.
Gabarito: D
Kant, na Crítica da Faculdade de Julgar, separa três experiências bem diferentes: o agradável, o bom e o belo. O agradável depende do gosto pessoal e dos sentidos, como aquele prazer imediato de algo que "cai bem" para você. O bom já envolve finalidade, regra e valor prático ou moral, isto é, algo é bom porque atende a um fim ou a um dever. O belo, por sua vez, não é útil como o bom nem é só uma sensação privada como o agradável. Quando você julga algo como belo, você sente prazer sem querer usar o objeto para alguma finalidade. É um prazer desinteressado, sem conceito determinando o objeto, mas que ainda assim traz uma pretensão de validade universal: você fala como se os outros pudessem concordar com você. É exatamente por isso que a alternativa D está correta. Para Kant, o belo é desvinculado de conceitos de utilidade e de interesses práticos, mas não fica preso ao gosto individual. Ele tem uma pretensão à universalidade porque o juízo estético pede concordância, embora não se prove por regra como na ciência. Então, se a questão tentar misturar belo com moral, utilidade, prazer sensível ou preferência puramente individual, desconfie. Kant gosta de separar as gavetas com capricho, e nessa divisão o belo tem endereço próprio.