Para Tomás de Aquino, os entes criados são contingentes e dependem ontologicamente de dois princípios: a essência e a existência. No caso de Deus, por outro lado, essência e existência coincidem. No caso das criaturas, estes dois conceitos designam, respectivamente
- A)a finalidade do ente e os meios que o conduzem ao seu propósito.
Errada, porque finalidade e meios pertencem à explicação teleológica da ação, não à distinção tomista entre essência e existência.
- B)o que o ente é por sua natureza e o ato pelo qual ele vem a ser.
Certa, pois essência é o que o ente é por natureza e existência é o ato pelo qual ele passa a ser efetivamente.
- C)a forma do ente e as mudanças que ele sofre ao longo do tempo.
Errada, porque forma e mudanças no tempo remetem a outro tipo de análise filosófica, não à composição essência-existência em Tomás.
- D)o princípio que põe o ente em movimento e sua atividade constante.
Errada, porque princípio de movimento e atividade constante não define a diferença entre essência e existência nas criaturas.
- E)a materialidade do ente e sua aptidão para ser causa de outros.
Errada, porque materialidade e causalidade não correspondem aos dois princípios ontológicos pensados por Tomás de Aquino.
Gabarito: B
Para Tomás de Aquino, as criaturas não existem por necessidade: elas poderiam não existir. Por isso, nelas há uma composição entre essência e existência. A essência responde à pergunta “o que a coisa é?”, isto é, sua natureza, sua definição, aquilo que faz um ente ser exatamente aquele ente. Já a existência é o ato de ser, o fato de a coisa estar efetivamente no mundo. Em Deus, a lógica muda: Ele não “recebe” o ser, porque é o próprio Ser subsistente. N’Ele, essência e existência coincidem. Nas criaturas, ao contrário, a essência não traz a existência dentro de si; ela precisa recebê-la, como se a natureza viesse com a etiqueta, mas ainda faltasse o produto na prateleira. É por isso que o gabarito é a letra B. A alternativa descreve corretamente os dois princípios: de um lado, o que o ente é por sua natureza; de outro, o ato pelo qual ele vem a ser, isto é, sua existência. Essa é a distinção clássica da metafísica tomista, muito cobrada em provas quando o assunto é contingência e dependência ontológica. Então, se aparecer Tomás de Aquino, pense assim: essência é “o que é”; existência é “o ser efetivo”. Nas criaturas, uma coisa não garante a outra. Em Deus, não há essa separação, porque Ele é puro ato de ser.