A técnica não é igual à essência da técnica. Quando procuramos a essência de uma árvore, temos de nos aperceber de que aquilo que rege toda árvore, como árvore, não é, em si mesmo, uma árvore que se pudesse encontrar entre as árvores. HEIDEGGER, Martin. “A questão da técnica”. In: Ensaios e conferências. Petrópolis: Editora Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2012. Segundo Heidegger, a essência da técnica consiste
- A)na mobilização dos meios materiais para finalidades humanas específicas.
Errada, porque reduz a técnica a um conjunto de meios materiais voltados a fins humanos, sem tocar na ideia heideggeriana de essência como desvelamento do ser.
- B)em uma das formas de manifestação da verdade do ser para o homem.
Certa, pois Heidegger entende a técnica como uma forma de manifestação da verdade do ser, isto é, um modo de revelação do real ao homem.
- C)na atividade humana mais elevada e que o qualifica como homo faber.
Errada, porque trata a técnica como a atividade humana mais elevada e define o homem como homo faber, o que não expressa a tese de Heidegger.
- D)em uma capacidade tecnológica de produzir mundo e que distingue homem e animal.
Errada, porque exagera ao dizer que a técnica produz mundo e distingue homem e animal, enquanto Heidegger discute o modo de revelar o ser, não uma capacidade biológica comparativa.
Gabarito: B
Heidegger faz uma distinção importante: uma coisa é a técnica como conjunto de instrumentos, máquinas e procedimentos; outra, bem diferente, é a sua essência. Para ele, a essência da técnica não se reduz a um "aparelho" nem a uma simples ferramenta neutra nas mãos do ser humano. Ela está ligada a um modo de desvelamento da realidade, isto é, a uma forma como o ser se mostra ao homem. Em outras palavras, a técnica não é só algo que a humanidade usa para dominar a natureza. O filósofo quer mostrar que a técnica moderna é um jeito de revelar o mundo, enquadrando tudo como algo disponível, utilizável, calculável. Então, quando a questão fala em "essência da técnica", está pedindo essa dimensão filosófica mais profunda, e não a definição comum de ferramenta ou produção eficiente. Por isso, o gabarito é a alternativa B. Heidegger entende a técnica como uma das formas de manifestação da verdade do ser para o homem, ou seja, um modo de desvelamento do real. Isso conversa diretamente com sua filosofia, especialmente com a ideia de aletheia, a verdade como desocultamento. A técnica, nesse sentido, não é só fazer coisas, mas também revelar como o mundo se apresenta para nós. As demais alternativas escorregam para uma visão mais prática ou mais antropocêntrica, como se a técnica fosse apenas meio material, superioridade humana ou poder de fabricar mundo. Heidegger não está elogiando a técnica como puro progresso: ele está pensando criticamente o seu sentido profundo.