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Filosofia · FGV · 2023

Questão comentada de Filosofia

Uma pessoa acaba de se mudar para um novo lugar. Passados seis meses, ela percebeu que um arco-íris apareceu no céu em todas as ocasiões em que choveu. Ao contar para um amigo, ele respondeu que não se poderia concluir legitimamente, a partir disso, que na próxima chuva apareceria um arco-íris. Trata-se de uma crítica aos raciocínios de tipo

Gabarito: A

A questão explora um raciocínio bem comum no dia a dia: você observa vários casos parecidos e tenta extrair deles uma regra geral. Isso é indução. Aqui, a pessoa viu que em todas as vezes em que choveu apareceu um arco-íris e, com base nessas observações repetidas, passou a imaginar uma regularidade para o futuro. O problema é que esse salto não garante necessidade lógica, só sugere probabilidade. Na indução, a conclusão vai além do que as premissas mostram de forma estrita. Por isso, ela pode ser muito útil na ciência e na vida prática, mas nunca tem a segurança absoluta de uma dedução. Hume é o nome clássico quando o assunto é crítica à indução: ele mostrou que o fato de algo ter acontecido muitas vezes não prova que acontecerá sempre da mesma forma. É exatamente essa a crítica do amigo no enunciado. Ele está dizendo: você observou um padrão, mas não pode concluir legitimamente que o próximo caso seguirá o mesmo padrão. Em outras palavras, a passagem da experiência passada para a previsão futura não é garantida logicamente. Por isso, o gabarito é a letra A. A questão descreve um raciocínio indutivo e a objeção feita ao personagem é justamente a limitação desse tipo de inferência.

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