Ao longo dos séculos de sua existência, a civilização grega viu não apenas o surgimento da filosofia como também suas transformações e as mudanças de enfoque de suas investigações. Assinale a opção que caracteriza a forma de investigação predominante no período pré-socrático.
- A)Desenvolvimento de doutrinas voltadas para os exercícios da alma e para a realização do bem-estar individual.
Errada, porque trata de temas ligados à ética e ao cuidado da alma, mais típicos de correntes posteriores, não do foco cosmológico pré-socrático.
- B)Enfoque nas questões humanas, sua capacidade de conhecer, de bem agir e engajar-se na cidade.
Errada, porque o interesse pelas questões humanas, pela ação moral e pela vida na cidade é marca da filosofia socrática e clássica, não da pré-socrática.
- C)Sistematização dos conhecimentos dos predecessores, organizando-os e compartimentando-os.
Errada, porque a sistematização do saber dos predecessores é uma característica mais associada a autores como Aristóteles, e não ao início da filosofia grega.
- D)Busca de uma explicação racional para a totalidade da realidade, seu princípio básico e ordenação.
Certa, porque os pré-socráticos buscavam uma explicação racional para o todo da realidade, procurando seu princípio fundamental e sua ordenação.
- E)Produção de argumentação racional e sistemática para sustentar a impossibilidade de alcançar a verdade.
Errada, porque o ceticismo radical sobre a possibilidade de alcançar a verdade não define o período pré-socrático, que estava voltado justamente à busca de explicações racionais.
Gabarito: D
No período pré-socrático, a filosofia nasce com uma grande ambição: explicar a natureza e o cosmos sem recorrer ao mito. A pergunta central era mais ou menos esta: de onde tudo vem, do que tudo é feito e como a realidade se organiza? É por isso que esses pensadores são chamados, muitas vezes, de filósofos da physis, isto é, da natureza. Eles buscavam um princípio primeiro, o arché, capaz de dar conta da totalidade do real. Tales fala da água, Anaxímenes do ar, Heráclito do fogo e do devir, Parmênides da unidade do ser, e assim por diante. Repare que o foco ainda não era a ética, a política ou a vida interior, mas a tentativa de entender o universo como um todo. Por isso, a alternativa D está correta: ela descreve exatamente essa investigação racional da totalidade da realidade, procurando seu fundamento básico e sua ordem. É a cara do pensamento pré-socrático: menos conversa sobre comportamento humano e mais curiosidade cósmica, quase um "manual de instruções do universo". As outras opções já apontam para momentos posteriores da filosofia, especialmente Sócrates, Platão e Aristóteles, que deslocam o interesse para o ser humano, a moral, a cidade e a organização sistemática do saber.