Pode-se representar facilmente uma linguagem que consiste apenas de comandos e informações durante uma batalha. – Ou uma linguagem que consiste apenas de perguntas e de uma expressão de afirmação e de negação. E muitas outras. WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações filosóficas. São Paulo: Abril Cultural, 1979 (Os pensadores). Para o Wittgenstein dessa fase de sua obra, a linguagem tem como característica fundamental o fato de estar associada a alguma
- A)representação do mundo.
Errada: essa ideia combina mais com a noção de linguagem como representação do mundo, que Wittgenstein relativiza em sua fase madura.
- B)forma de vida.
Certa: para o Wittgenstein das Investigações, a linguagem está ligada a formas de vida, isto é, aos usos concretos nas práticas humanas.
- C)nomeação de objetos.
Errada: nomear objetos é uma visão limitada da linguagem e não expressa o pensamento maduro de Wittgenstein sobre o uso.
- D)enunciação do desejo.
Errada: desejo pode ser um uso possível da linguagem, mas não é o fundamento geral pedido no enunciado.
Gabarito: B
Nesta fase, Wittgenstein deixa de tratar a linguagem como um simples espelho do mundo e passa a vê-la em uso, no cotidiano. A ideia central é que o sentido das palavras depende do contexto em que elas funcionam, isto é, do "jogo de linguagem" em que aparecem. Por isso, uma frase pode servir para ordenar, perguntar, prometer, narrar, brincar ou rezar, e tudo isso faz parte da vida concreta das pessoas. Quando o enunciado fala em uma linguagem de comandos e informações durante uma batalha, ou em uma linguagem feita só de perguntas e respostas, ele está mostrando que a linguagem não é uma estrutura abstrata solta no ar. Ela ganha significado dentro de práticas humanas reais. Em outras palavras: falar é fazer algo em uma situação social específica. É exatamente aí que entra o gabarito B, "forma de vida". Para o Wittgenstein das Investigações Filosóficas, linguagem e forma de vida caminham juntas: os usos da linguagem estão ligados às atividades, hábitos, regras e práticas compartilhadas por uma comunidade. Sem essa base de vida concreta, as palavras ficam sem chão. A filosofia dele, aqui, não pergunta primeiro "o que a palavra representa?", mas "como ela é usada?". Então, a resposta certa não é a visão de linguagem como nome de coisas ou como retrato do mundo. Na fase madura de Wittgenstein, o foco é o uso social da linguagem em diferentes jogos de linguagem, sempre enraizados em uma forma de vida.