A filosofia hegeliana da história é a última consequência, levada à sua “mais pura expressão”, de toda a historiografia alemã que não trata de interesses reais, nem mesmo políticos, mas apenas de uma série de pensamentos puros que devoram uns aos outros. Tal concepção é verdadeiramente religiosa, pressupõe o homem religioso como o homem primitivo do qual parte toda a história e, em sua imaginação, põe a produção religiosa de fantasias no lugar da produção real dos meios de vida e da própria vida. Adaptado de MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007. A visão marxiana entende que a história é movida pelas
- A)diversas manifestações da ânsia por domínio que caracteriza a realidade em geral.
Errada, porque essa ideia se aproxima mais de leituras sobre vontade de poder ou conflito pelo domínio, e não do materialismo histórico de Marx.
- B)fases de um processo progressivo de aumento da consciência moral humana.
Errada, porque Marx não entende a história como evolução moral progressiva da consciência humana.
- C)sucessões dos regimes discursivos e suas distintas formas de produzir verdades.
Errada, porque essa formulação é mais compatível com autores que analisam discurso e produção de verdade, não com Marx.
- D)várias configurações sociais conforme suas formas de organizar a produção material.
Certa, porque a história, para Marx, é movida pelas formas de produção material e pelas relações sociais que delas decorrem.
Gabarito: D
Marx e Engels fazem uma crítica direta à filosofia da história idealista, especialmente à leitura hegeliana. Para eles, não é o mundo das ideias que move a história, mas a vida material concreta: trabalho, produção, divisão social e formas de organizar a economia. Em outras palavras, antes de pensar, a humanidade precisa comer, produzir, viver. Parece óbvio, mas a filosofia idealista adorava começar pelo céu das ideias e esquecer o chão da fábrica. Na visão marxiana, a história não é uma sequência de conceitos se devorando, nem uma marcha moral automática rumo ao bem. Ela é resultado das condições materiais de existência e dos conflitos entre classes que surgem dessas condições. Por isso, a organização da produção material é central: ela estrutura a sociedade, molda instituições, ideias e até a forma como as pessoas entendem o mundo. É exatamente por isso que a alternativa D está correta. Ela traduz o materialismo histórico: as várias configurações sociais dependem das formas de organizar a produção material. O modo de produção escravista, feudal, capitalista etc. gera relações sociais diferentes e, com elas, instituições, valores e conflitos específicos. As demais alternativas trocam Marx por outros autores ou por outras teorias. Marx não explica a história pela vontade de domínio em geral, nem por progresso moral, nem por regimes discursivos. Seu foco é a base material da vida social e a dinâmica histórica que nasce daí.