No livro Convite à Filosofia, Marilena Chauí busca determinar o que caracteriza a atividade filosófica, a sua especificidade como campo de conhecimento. Segundo a autora, a filosofia é caracterizada
- A)pela preservação dos mesmos temas clássicos tratados desde a aurora da filosofia entre os gregos.
Errada, porque a filosofia não se define por repetir sempre os mesmos temas clássicos, mas por renovar suas perguntas e problemas conforme a realidade e a reflexão avançam.
- B)pelo recurso àqueles conceitos estabelecidos pela filosofia sistematizada pelos antigos.
Errada, porque a filosofia não depende apenas de conceitos antigos já estabelecidos; ela também critica, revisa e reconstrói conceitos quando necessário.
- C)pela abordagem crítica e sistemática das crenças habituais e da própria atividade racional.
Certa, porque Chauí caracteriza a filosofia como uma reflexão crítica e sistemática sobre crenças habituais e sobre a própria razão.
- D)pelo desinteresse por questões mundanas em favor de uma forma mais elevada de conhecimento.
Errada, porque a filosofia não exige desinteresse pelo mundo cotidiano, e sim análise crítica da vida humana, social e racional.
Gabarito: C
Marilena Chauí, em Convite à Filosofia, apresenta a filosofia como uma atividade que não aceita respostas prontas nem se contenta com o “sempre foi assim”. Para ela, filosofar é perguntar, duvidar, examinar e colocar sob crítica aquilo que costuma passar como óbvio no cotidiano. É uma postura de investigação, e não uma coleção de opiniões bonitas para enfeitar o pensamento. Por isso, a filosofia se distingue por olhar criticamente para as crenças habituais, os valores aceitos sem reflexão e até para a própria razão, perguntando como pensamos, por que pensamos assim e quais limites existem nesse pensar. Em vez de repetir fórmulas, a filosofia investiga fundamentos. Em vez de descansar, ela inquieta. É quase o “modo debug” da consciência. O gabarito está na alternativa C porque ela traduz exatamente essa ideia de reflexão crítica e sistemática. “Crítica” significa examinar com rigor, e “sistemática” indica que não é uma crítica solta ou casual, mas organizada, metódica, voltada para os fundamentos do conhecimento, da ação e da realidade. As demais alternativas tentam prender a filosofia numa imagem de tradição congelada ou de afastamento do mundo. Mas, para Chauí, a filosofia não é um museu de temas antigos nem uma fuga da vida concreta. Ela é uma atividade viva, que questiona o que parece natural e também a própria forma de produzir conhecimento.