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Filosofia · FGV · 2023

Questão comentada de Filosofia

O filósofo inglês John Locke é conhecido como fundador do liberalismo, doutrina que foi apropriada pela burguesia para legitimar a própria ascensão política e justificar a reivindicação do direito à propriedade privada. Segundo Locke, o direito à propriedade

Gabarito: C

John Locke é um dos nomes centrais do liberalismo clássico e sua ideia de propriedade ajuda a entender por que a burguesia gostou tanto dele. Para Locke, o mundo foi dado por Deus a todos, mas cada pessoa passa a ter direito sobre aquilo que incorpora com seu próprio trabalho. Em outras palavras: quando o indivíduo mistura seu trabalho aos recursos da natureza, aquilo se torna legitimamente seu, desde que não haja desperdício e que reste o suficiente para os demais. Essa visão aparece no Segundo Tratado sobre o Governo Civil, obra em que Locke defende que a propriedade não nasce de um decreto arbitrário do Estado nem da força, mas de um fundamento natural ligado à pessoa e ao trabalho. Isso combina com a lógica liberal: o Estado existe para proteger direitos já existentes, e não para inventá-los do zero. Por isso o gabarito é a letra C. Ela resume exatamente a teoria lockeana: o direito à propriedade tem como base natural o indivíduo e o seu trabalho sobre os recursos disponibilizados pelo Criador. É a clássica fórmula do "meu trabalho + natureza = minha propriedade", que virou praticamente o cartão de visitas de Locke. As demais alternativas trocam o liberalismo por explicações que não são lockeanas: exploração social, costume estatal, conquista armada ou conflito com a natureza. Em Locke, a propriedade não nasce do tiroteio nem do carimbo burocrático, mas do trabalho humano sobre o que a natureza oferece.

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