A Filosofia coloca desafios específicos quando se busca definir a forma de ensiná-la no Ensino Médio, quais conteúdos abordar e quais competências se espera desenvolver. Um fator a ser levado em conta, conforme preconiza o Currículo da Cidade de São Paulo, é que as disciplinas “também precisam dialogar com a realidade dos adolescentes, de forma a conectarem-se com seus interesses, necessidades e expectativas”. Assinale a opção que descreve corretamente o modo como o ensino de Filosofia deve levar em conta o fator preconizado pelo Currículo da Cidade de São Paulo.
- A)Deve privilegiar a memorização de autores, datas, conceitos e teorias filosóficas.
Errada: a memorização pode até ajudar em algum momento, mas não traduz o sentido formativo da Filosofia no Ensino Médio.
- B)Deve selecionar os conteúdos curriculares com base naquilo que mais atrai os alunos.
Errada: o critério não é apenas o que atrai os alunos, e sim o que dialoga com sua realidade e favorece reflexão crítica.
- C)Deve focar nos conteúdos que oferecem maior aplicabilidade profissional e retorno econômico.
Errada: a Filosofia não deve ser reduzida a utilidade profissional ou retorno econômico, pois sua função formativa é mais ampla.
- D)Deve substituir a produção filosófica do passado pelo estudo dos filósofos da contemporaneidade.
Errada: a contemporaneidade é importante, mas não substitui a tradição filosófica; o ponto é relacionar conteúdos, não apagar o passado.
- E)Deve conectar temas e o modo filosófico de reflexão aos problemas concretos que afetam os estudantes.
Certa: o ensino deve aproximar a reflexão filosófica de problemas concretos vividos pelos estudantes, em diálogo com sua realidade.
Gabarito: E
A ideia central da questão é simples: ensinar Filosofia no Ensino Médio não é transformar a aula em um museu de nomes, datas e definições decoradas. O Currículo da Cidade de São Paulo pede que as disciplinas dialoguem com a realidade dos adolescentes, isto é, com seus interesses, necessidades e expectativas. Em Filosofia, isso significa partir de problemas concretos do cotidiano para mostrar como o pensamento filosófico ajuda a interpretar e questionar a vida ao redor. Por isso, o ensino de Filosofia deve aproximar os temas clássicos e o modo filosófico de refletir de situações que façam sentido para os estudantes: convivência, redes sociais, identidade, liberdade, violência, consumo, ética, política, tecnologia, entre outros. A matéria não perde rigor por isso; ao contrário, ganha vida. Filosofar é aprender a perguntar melhor, argumentar melhor e pensar com mais autonomia. Esse ponto está de acordo com a orientação da BNCC para o Ensino Médio, que valoriza o protagonismo juvenil, a contextualização dos saberes e o desenvolvimento de competências ligadas à análise crítica e à argumentação. O Currículo da Cidade de São Paulo segue essa mesma linha ao defender que o conteúdo escolar converse com a experiência concreta dos alunos. Assim, a alternativa correta é a que propõe conectar os temas e o modo filosófico de reflexão aos problemas concretos que afetam os estudantes. É o jeito mais coerente de ensinar Filosofia sem deixá-la virar uma lista chata de autores com poeira de biblioteca.