O filósofo da ciência Karl Popper defendeu a ideia de falseabilidade como critério lógico para avaliação das teorias científicas. Assinale a opção que descreve corretamente um aspecto do falsificacionismo popperiano.
- A)Uma teoria deve ser avaliada pela quantidade de fatos que corroborem suas afirmações.
Errada, porque Popper rejeita a ideia de que uma teoria vira cientifica pela quantidade de fatos que a confirmem.
- B)Uma teoria é abandonada quando seu paradigma é esgotado, levando a uma ruptura total.
Errada, porque isso remete a Thomas Kuhn e sua teoria das mudancas de paradigma, nao a Popper.
- C)Uma teoria se aproxima da verdade na medida em que oferece descrições verossimilhantes da realidade.
Errada, porque verossimilhanca e aproximacao da verdade aparecem em discussoes filosoficas diferentes, mas nao sao o criterio central de cientificidade em Popper.
- D)Uma teoria é científica quando suas asserções são passíveis de refutação pela verificação empírica.
Certa, porque para Popper uma teoria e cientifica quando pode ser posta a prova de modo a ser refutada por observacao ou experimento.
- E)Uma teoria é eficaz quando consegue incorporar de forma coerente os conhecimentos anteriores.
Errada, porque essa ideia se aproxima mais de uma visao de continuidade e integracao de conhecimentos, nao do falsificacionismo popperiano.
Gabarito: D
Karl Popper ficou famoso por atacar a ideia de que ciência é confirmada por uma pilha de observações favoráveis. Para ele, uma teoria cientifica nao se prova definitivamente pela verificacao, porque sempre pode aparecer um caso que a derrube. O que importa e se a teoria aceita ser testada de um jeito que possa, em tese, ser refutada pela experiencia. Se ela nao puder ser contrariada por nenhum teste possivel, fica parecida com crenca ou metafisica, mas nao com ciencia no sentido popperiano. Essa e a ideia central do falsificacionismo: a ciencia avanca por conjecturas e refutacoes. O cientista formula uma hipoteses ousada, testa, tenta derrubar, e se ela resistir, ela fica provisoriamente aceita, sem virar verdade eterna. Em Popper, portanto, o criterio de cientificidade nao e a confirmacao por verificacao empírica, e sim a possibilidade de falseamento. E por isso o gabarito D esta correto: ele descreve exatamente a exigencia de que as assercoes sejam refutaveis por testes empiricos. Vale lembrar a diferenca para outros autores. Kuhn fala em paradigmas e revolucoes cientificas, Lakatos em programas de pesquisa, e isso ajuda a perceber que a alternativa B e de outra praia. Popper, ao contrario, nao diz que a teoria vale porque acumula confirmacoes, mas porque aceita o risco de ser desmentida. Em resumo: na ciencia popperiana, teoria boa nao e a que foge do teste, e sim a que encara o teste de frente.