Indagamos como a alma possa sempre se encaminhar num curso equilibrado, seja propícia para si, olhe alegre para sua condição e não interrompa esse contentamento, mas permaneça num estado plácido, sem jamais exaltar-se ou deprimir-se: isso será a tranquilidade [euthymía]. Adaptado de SÊNECA. Sobre a ira. Sobre a tranquilidade da alma. São Paulo: Penguin Classics Cia. das Letras, 2014. A preocupação exposta no trecho acima é característica da reflexão
- A)epicurista.
Epicurismo também valoriza a tranquilidade, mas a ideia central de Sêneca aqui é o controle racional das paixões, marca do estoicismo.
- B)cética.
O ceticismo desconfia da certeza e tende à suspensão do juízo, não sendo a corrente mais ligada a esse ideal de equilíbrio moral da alma.
- C)estoica.
Correta: o trecho expressa a busca estoica pela serenidade, pelo domínio de si e pela estabilidade interior diante das emoções.
- D)hedonista.
Hedonismo defende a busca do prazer como fim principal, o que não combina com a disciplina e a sobriedade filosófica do texto.
Gabarito: C
O trecho fala de um ideal de serenidade interior, de manter a alma em equilíbrio, sem oscilar entre euforia e abatimento. Essa preocupação aparece com muita força no estoicismo, corrente que valoriza a autossuficiência, o domínio das paixões e a tranquilidade diante do que não depende de você. Em Sêneca, isso é praticamente o pão de cada dia filosófico: viver bem é aprender a não ser arrastado pelos excessos emocionais. No estoicismo, a vida boa não depende de prazer sem fim nem de fuga do mundo, mas de virtude, razão e autocontrole. A pessoa sábia busca a apatheia, isto é, uma liberdade em relação às paixões desordenadas, para alcançar a euthymía, a paz de espírito mencionada no texto. Em termos simples: nada de drama excessivo, nada de descontrole, nada de ser refém do humor do dia. Por isso, o gabarito é a letra C, estoica. O autor citado é Sêneca, um dos grandes representantes do estoicismo romano, e a linguagem do trecho combina exatamente com essa visão de firmeza interior, equilíbrio e serenidade. Se a banca cita Sêneca falando de tranquilidade da alma, quase sempre ela está piscando para o estoicismo.