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Filosofia · FGV · 2023

Questão comentada de Filosofia

Indagamos como a alma possa sempre se encaminhar num curso equilibrado, seja propícia para si, olhe alegre para sua condição e não interrompa esse contentamento, mas permaneça num estado plácido, sem jamais exaltar-se ou deprimir-se: isso será a tranquilidade [euthymía]. Adaptado de SÊNECA. Sobre a ira. Sobre a tranquilidade da alma. São Paulo: Penguin Classics Cia. das Letras, 2014. A preocupação exposta no trecho acima é característica da reflexão

Gabarito: C

O trecho fala de um ideal de serenidade interior, de manter a alma em equilíbrio, sem oscilar entre euforia e abatimento. Essa preocupação aparece com muita força no estoicismo, corrente que valoriza a autossuficiência, o domínio das paixões e a tranquilidade diante do que não depende de você. Em Sêneca, isso é praticamente o pão de cada dia filosófico: viver bem é aprender a não ser arrastado pelos excessos emocionais. No estoicismo, a vida boa não depende de prazer sem fim nem de fuga do mundo, mas de virtude, razão e autocontrole. A pessoa sábia busca a apatheia, isto é, uma liberdade em relação às paixões desordenadas, para alcançar a euthymía, a paz de espírito mencionada no texto. Em termos simples: nada de drama excessivo, nada de descontrole, nada de ser refém do humor do dia. Por isso, o gabarito é a letra C, estoica. O autor citado é Sêneca, um dos grandes representantes do estoicismo romano, e a linguagem do trecho combina exatamente com essa visão de firmeza interior, equilíbrio e serenidade. Se a banca cita Sêneca falando de tranquilidade da alma, quase sempre ela está piscando para o estoicismo.

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