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Filosofia · FGV · 2023

Questão comentada de Filosofia

“O livro trata dos problemas filosóficos e mostra – creio eu – que a formulação desses problemas repousa sobre o mau entendimento da lógica de nossa linguagem. Poder-se-ia talvez apanhar todo o sentido do livro com estas palavras: o que se pode em geral dizer, pode-se dizer claramente; e sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar.” WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractatus Logico-Philosophicus. São Paulo: Edusp, 2001. “A filosofia não deve, de modo algum, tocar no uso efetivo da linguagem; em último caso, pode apenas descrevê-lo. Pois também não pode fundamentá-lo. A filosofia deixa tudo como está.” WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações Filosóficas. São Paulo: Abril Cultural, 1979. De acordo com a segunda fase do pensamento de Wittgenstein, a linguagem

Gabarito: B

Na segunda fase de Wittgenstein, especialmente nas Investigações Filosóficas, a linguagem deixa de ser vista como um espelho de uma lógica ideal única. Em vez disso, ela passa a ser entendida no uso concreto: as palavras ganham sentido dentro de práticas humanas, dos chamados "jogos de linguagem". Ou seja, o significado não fica preso a uma essência abstrata, mas depende do contexto em que você fala e de como a expressão funciona naquele cenário. Por isso, Wittgenstein abandona a ideia do Tractatus de que a linguagem perfeita seria aquela que traduzisse com exatidão os pensamentos segundo uma estrutura lógica fixa. Agora, a filosofia não quer "consertar" a linguagem nem descobrir um fundamento oculto por trás dela. Ela só descreve como a linguagem realmente opera no cotidiano, sem mandar nela. É a famosa postura: deixar tudo como está. Esse ponto explica o gabarito B. Ao dizer que a linguagem "consiste em uma variedade de contextos específicos que concedem sentido aos enunciados", a alternativa resume bem a noção de jogos de linguagem e de significado pelo uso. Em outras palavras, falar é participar de formas de vida, e não apenas encaixar palavras em uma lógica universal. É menos laboratório de fórmulas e mais vida real, com toda a bagunça organizada que isso envolve. Já as demais alternativas retomam ideias mais próximas do primeiro Wittgenstein ou até de temas alheios ao filósofo. Na segunda fase, o foco não é uma lógica ideal, nem uma tradução perfeita do pensamento, nem uma essência do ser. O centro passa a ser o uso efetivo da linguagem nos diferentes contextos.

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