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Filosofia · FGV · 2022

Questão comentada de Filosofia

O filósofo Martin Heidegger leu de maneira crítica a modernidade como era da técnica. Em contraste com a ideologia iluminista do progresso, via de outro modo o avanço da ciência e o sucesso de suas aplicações no domínio sobre a natureza. Por este caminho, o homem estaria se afastando de uma dimensão fundamental da própria existência. Assinale a opção que identifica corretamente a crítica formulada por Heidegger à técnica.

Gabarito: D

Para Heidegger, a técnica moderna não é só um conjunto de máquinas ou ferramentas. Ela expressa uma forma de ver o mundo em que tudo passa a ser medido, calculado e usado como recurso. Ou seja, a técnica vira um modo de desvelamento da realidade, e não apenas um instrumento neutro na mão do homem. O ponto central da crítica heideggeriana é que a modernidade técnica reduz os entes a algo disponível, explorável e manipulável. A natureza deixa de aparecer como aquilo que tem sentido próprio e passa a ser encarada como estoque, reserva ou matéria-prima. Esse enquadramento é o que ele chama de Gestell, a estrutura de ordenação que captura tudo na lógica do uso. Por isso, o risco não é apenas ambiental ou econômico, mas existencial: o ser humano também passa a se enxergar como peça de um sistema de produção e eficiência, afastando-se da pergunta pelo ser. Em vez de abrir espaço para a reflexão sobre o sentido da existência, a técnica moderna estreita o horizonte e domina o modo como pensamos. A alternativa D está correta porque traduz exatamente essa ideia: a essência da técnica moderna impede o acesso ao ser e transforma os entes em recursos disponíveis. Esse é o núcleo da crítica de Heidegger em textos como A questão da técnica, em que ele mostra que o problema não é a tecnologia em si, mas o modo de revelação que ela impõe ao mundo.

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