“Por trás dos teus pensamentos e sentimentos, irmão, há um poderoso soberano, um sábio desconhecido – ele se chama Simesmo”. NIETZSCHE, F. Assim falou Zaratustra. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 35. Este “Si-mesmo”, também chamado de “grande razão”, é, segundo Nietzsche,
- A)o espírito.
Errada: o espírito não é o centro decisivo da vida humana em Nietzsche, porque ele critica justamente a supremacia de uma dimensão puramente espiritual.
- B)o corpo.
Certa: o “Si-mesmo” ou “grande razão” é o corpo, entendido como o conjunto de forças, impulsos e instintos que orientam o humano.
- C)a natureza.
Errada: a natureza é um termo muito amplo e não corresponde ao conceito específico de “Simesmo” em Nietzsche.
- D)a subjetividade.
Errada: subjetividade é uma noção mais ligada ao eu consciente, mas Nietzsche desloca o foco para algo mais profundo que a consciência.
- E)o inconsciente.
Errada: o inconsciente é uma categoria mais associada a Freud; em Nietzsche, a formulação da questão aponta para o corpo como sede da grande razão.
Gabarito: B
Nietzsche costuma bater de frente com a ideia de que a consciência manda em tudo. Para ele, aquilo que você chama de “eu”, com seus pensamentos bonitos e suas justificativas elegantes, não é o chefe da casa. Existe algo mais profundo, mais instintivo e mais decisivo, que ele chama de Simesmo, ou “grande razão”. Nesse ponto, Nietzsche valoriza o corpo. Não no sentido simples de músculo e aparência, mas como o conjunto vivo de impulsos, forças, afetos e instintos que realmente orientam a vida. Em várias passagens de Assim falou Zaratustra, ele sugere que a razão consciente é só uma pequena ferramenta, enquanto o corpo é uma inteligência mais fundamental. Por isso o gabarito é a letra B. O “Si-mesmo”, também chamado de “grande razão”, é o corpo, entendido como centro real das pulsões que organizam o ser humano. A consciência, para Nietzsche, muitas vezes chega depois e só conta uma história arrumada do que já foi decidido em um nível mais profundo. Em prova, a dica é lembrar: se a questão citar Nietzsche falando em “grande razão”, “Simesmo” ou oposição entre mente consciente e algo mais básico, desconfie da ideia de sujeito racional soberano. Para ele, quem costuma mandar primeiro não é a cabeça, é o corpo.