A afirmação de Platão segundo a qual “são os filósofos que devem governar” deve ser considerada uma
- A)provocação contra a restauração do regime oligárquico em Atenas em seu tempo.
Errada, porque Platão não está fazendo uma provocação contra a restauração oligárquica, mas defendendo um critério filosófico de governo.
- B)avaliação favorável a sistemas de governo baseados em critérios plutocráticos.
Errada, porque Platão não valoriza o governo dos ricos; ao contrário, ele critica a plutocracia como forma corrompida de poder.
- C)reafirmação da solução fornecida pela democracia para enfrentar a desordem política.
Errada, porque Platão não exalta a democracia ateniense como solução para a desordem política, e sim a questiona fortemente.
- D)valorização da política como experiência fenomênica e da multiplicidade dos significados de justiça.
Errada, porque Platão não reduz a política à experiência fenomênica nem à multiplicidade de sentidos de justiça; ele busca uma ideia objetiva de justiça.
- E)defesa do filósofo como aquele que conhece verdadeiramente, em oposição ao relativismo dos sofistas.
Certa, porque expressa a tese platônica de que quem conhece verdadeiramente deve governar, em oposição à retórica relativista dos sofistas.
Gabarito: E
Platão parte de uma desconfiança famosa: nem todo mundo que fala de política sabe, de fato, o que é justiça e como governar bem. Para ele, a cidade só sai da desordem quando o comando fica nas mãos de quem conhece o Bem e a verdade, isto é, o filósofo. Não é uma defesa da força, da riqueza ou do mero número de votos, mas da competência racional para governar. Essa ideia aparece principalmente em A República, onde Platão compara a política a uma arte: assim como você não entregaria um navio a quem não sabe navegar, também não deveria entregar a cidade a quem não sabe o que é justiça. O filósofo, por ter acesso ao conhecimento verdadeiro, seria o mais apto a conduzir a pólis. Por isso, a alternativa correta é a que mostra o filósofo como alguém que conhece verdadeiramente, em oposição ao relativismo dos sofistas. Os sofistas defendiam que a verdade podia variar conforme a opinião, o discurso e a conveniência; Platão reage a isso dizendo que existe conhecimento mais firme do que mera persuasão. Em resumo: para Platão, governar não é questão de popularidade, riqueza ou retórica bonita. É questão de saber o que é o bem comum - e isso, na filosofia dele, é tarefa de quem saiu da caverna e viu a luz.