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Filosofia · FGV · 2022

Questão comentada de Filosofia

“Confesso francamente: a lembrança de David Hume foi justamente o que há muitos anos interrompeu pela primeira vez meu sono dogmático e deu às minhas pesquisas no campo da filosofia especulativa uma direção completamente nova”. KANT, I. Prolegômenos. In Crítica da Razão Pura e outros textos filosóficos. São Paulo: Abril Cultural, 1974. Assinale a opção que identifica corretamente a nova direção filosófica tomada por Kant.

Gabarito: A

Kant é o nome mais famoso da chamada “virada crítica”. Depois de ler Hume, ele percebeu que não dava para continuar aceitando o conhecimento como se a mente apenas copiasse o mundo de forma passiva. A pergunta passou a ser outra: não “o que eu conheço?”, mas “como é possível conhecer?“. Essa mudança é o coração do criticismo kantiano. Daí nasce a filosofia transcendental. Em vez de tentar provar tudo sobre a realidade por pura especulação, Kant investiga as condições que tornam o conhecimento possível. Ele mostra que a experiência precisa de formas e estruturas do sujeito, como espaço, tempo e categorias do entendimento, para virar conhecimento válido. Isso significa estabelecer limites: a razão conhece os fenômenos, isto é, as coisas como aparecem para nós, mas não alcança diretamente o “em si” das coisas. Então, nada de sonho dogmático mesmo. Kant corta o excesso de confiança da metafísica tradicional e põe a razão no seu lugar, com crachá e limite de acesso. Por isso o gabarito é a letra A. A nova direção filosófica é justamente uma filosofia transcendental que busca delimitar as condições e os limites da possibilidade do conhecimento humano, tema central da Crítica da Razão Pura.

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