“Com a expressão vita activa, pretendo designar três atividades humanas fundamentais: labor, trabalho e ação. Trata-se de atividades fundamentais porque a cada uma delas corresponde uma das condições básicas mediante as quais a vida foi dada ao homem na Terra”. ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007. As afirmativas a seguir sobre as três atividades humanas fundamentais citadas no trecho estão corretas, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)O trabalho é a atividade mediante a qual os homens produzem o mundo para si mesmos.
Certa: em Arendt, o trabalho produz um mundo de objetos relativamente duráveis para uso humano.
- B)O labor diz respeito àquelas atividades mais básicas, ligadas à sustentação do processo biológico.
Certa: o labor está ligado às necessidades vitais e ao ciclo biológico da sobrevivência.
- C)A ação é a atividade na qual os homens se afirmam propriamente enquanto tais.
Certa: é na ação que o ser humano se revela como sujeito político e relacional.
- D)O labor diz respeito aos artifícios que conferem permanência e durabilidade ao mundo comum.
Errada: quem confere permanência e durabilidade ao mundo comum é o trabalho, não o labor.
- E)A ação é a atividade mediante a qual os homens produzem juntos a sua vida política e sua história.
Certa: a ação é a atividade que ocorre entre os homens e funda a vida política e histórica.
Gabarito: D
Hannah Arendt, em A condição humana, separa a vita activa em três dimensões bem diferentes: labor, trabalho e ação. O labor é o lado mais “biológico” da vida, ligado às necessidades do corpo, como comer, descansar e sobreviver. Ele é cíclico e nunca termina, porque a vida humana precisa ser continuamente mantida. O trabalho, por sua vez, não é sobreviver, mas fabricar um mundo de coisas duráveis, como casas, ferramentas e objetos que permanecem por mais tempo do que o esforço que os produziu. Já a ação é a esfera da convivência entre pessoas, da política, da fala e da iniciativa, onde cada um aparece para os outros e constrói a história em comum. Por isso, a alternativa D está errada: ela troca os papéis e atribui ao labor aquilo que Arendt chama de trabalho. Quem dá permanência e durabilidade ao mundo comum é o trabalho, não o labor. O labor cuida da manutenção da vida; o trabalho cria o mundo artificial humano; e a ação inaugura o espaço político entre os homens. Esse trio é clássico na leitura arendtiana e costuma aparecer em provas exatamente com essa inversão de conceitos. A banca gosta de testar se você confunde “labor” com “trabalho”, porque os nomes parecem próximos, mas a lógica é bem diferente. Se você memorizar a ideia central, fica simples: corpo - labor, coisas - trabalho, política - ação.