“Sob o poder do monopólio, toda cultura de massas é idêntica, e seu esqueleto, a ossatura conceitual fabricada por aquele, começa a se delinear. Os dirigentes não estão mais sequer muito interessados em encobri-lo, seu poder se fortalece quanto mais brutalmente ele se confessa de público. O cinema e o rádio não precisam mais se apresentar como arte. A verdade de que não passam de um negócio, eles a utilizam como uma ideologia destinada a legitimar o lixo que propositalmente produzem”. ADORNO, T.; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Zahar, 1985, p. 114. De acordo com a perspectiva defendida pelos autores, é correto afirmar que
- A)o sucesso da indústria cultural se deve ao fato de veicular uma crítica à ideologia dominante.
Errada, porque os autores criticam a indústria cultural como instrumento de dominação, e não como veiculadora de crítica à ideologia dominante.
- B)as mutações cognitivas provocadas pelos media sobre as massas mostram que o meio é a mensagem.
Errada, porque a frase remete a Marshall McLuhan, não à crítica frankfurtiana de Adorno e Horkheimer.
- C)a produção de um sistema hegemônico da cultura de massas é consequência necessária da evolução da técnica.
Errada, porque os autores não tratam a hegemonia cultural como consequência necessária e neutra da técnica, mas como efeito da lógica capitalista e mercantil.
- D)o poder da indústria cultural se baseia na força econômica e na lógica da produção em série aplicada à cultura.
Certa, porque a indústria cultural se sustenta no poder econômico e na padronização da produção cultural em série.
- E)a indústria cultural é uma estrutura democratizante que considera cada indivíduo da massa como sujeito.
Errada, porque a indústria cultural, para os autores, não democratiza nem reconhece o indivíduo como sujeito autônomo; ela massifica e homogeneíza.
Gabarito: D
Adorno e Horkheimer, na crítica à chamada indústria cultural, dizem que a cultura de massas deixa de ser um espaço de formação crítica e vira produto padronizado, fabricado em série, como qualquer mercadoria. A ideia central é bem dura, mas simples: cinema, rádio e demais meios culturais passam a funcionar segundo a lógica do mercado, buscando lucro, repetição e consumo, em vez de autonomia estética ou reflexão. Isso faz com que as pessoas consumam conteúdos parecidos, previsíveis e fáceis de absorver, o que ajuda a manter a ordem social existente. No texto, os autores mostram que o poder da cultura de massas não vem de uma suposta missão educativa, mas da força econômica dos monopólios e da produção industrial aplicada à cultura. Ou seja, a cultura é tratada como negócio, e o produto cultural é feito em série, com pouca diferença real entre um item e outro. A padronização gera familiaridade, reduz a crítica e transforma entretenimento em mecanismo de adaptação. Por isso, a alternativa D está correta: ela resume exatamente essa relação entre poder econômico e lógica de produção em série. Para a Escola de Frankfurt, especialmente em A dialética do esclarecimento, a indústria cultural não liberta o sujeito, mas o conforma, oferecendo uma falsa diversidade que esconde a uniformização por trás do brilho do consumo. As outras alternativas tentam puxar a questão para outros autores ou para uma leitura positiva da cultura de massas, mas isso não combina com Adorno e Horkheimer. Aqui, o ponto é desconfiança total: quando a cultura vira mercadoria, a crítica entra em modo avião.