Tales de Mileto propôs a primeira explicação para ocorrências naturais que não era ligada ao “humor divino”. Ele fazia parte dos physiogói, que tinham o conhecimento da physis, e sobre ela produziam um determinado discurso. Afirmava que a água era o princípio, tendo sido levado a isso pelas (coisas) que lhe pareciam segundo a sensação: pois o quente vive com o úmido; as coisas mortas ressecam-se; as sementes de todas as coisas são úmidas; e, todo alimento é suculento. (SIMPLÍCIO, Física, 23,21 (DK 11 a 13), in.: ARANHA, 2002.) No conceito grego de physis:
- A)Deixava de existir o elã vital e a potência que ligaria o homem à natureza. Tudo passa a ser abstração pura e simples.
Errada, porque associa physis à perda de vitalidade e à pura abstração, quando o conceito grego aponta justamente para a natureza concreta e seu princípio de organização.
- B)Engendrava-se a ideia de uma substância física da qual todas as coisas eram feitas; um princípio interno organizador, estrutural.
Certa, porque traduz a physis como base material e princípio interno que estrutura e origina as coisas, exatamente a linha dos pré-socráticos.
- C)Tudo era considerado um acessório, uma dimensão aparente que precisa ser suplantada e mantida distante de toda e qualquer aparência.
Errada, porque despreza a aparência como algo a ser superado, mas a physis não é isso; ela se refere ao ser natural e ao processo próprio das coisas.
- D)Florescia a ideia da existência de entidades das mais variadas formas e crenças que alicerçariam a origem do real e do aparente, do visível e do invisível.
Errada, porque mistura várias crenças e entidades sem foco no princípio natural buscado pela filosofia grega pré-socrática.
Gabarito: B
A ideia de physis, na Grécia Antiga, marca a passagem de uma explicação mítica para uma explicação racional da natureza. Em vez de dizer que tudo acontece por vontade dos deuses, os primeiros filósofos buscaram um princípio natural, uma origem comum para as coisas do mundo. É aí que entra Tales de Mileto, considerado um dos pré-socráticos inaugurais dessa virada de pensamento. Quando ele afirma que a água é o princípio de tudo, ele está tentando explicar a realidade por algo material e observável, não por um humor divino caprichoso.