Na Grécia antiga não havia a ideia de artista no sentido que hoje empregamos, uma vez que a arte estava integrada ao cotidiano. As obras de arte dessa época eram utensílios (vasos, ânforas, copos), edificações (templos), ou instrumentos educacionais. O artífice que os produzia era considerado um trabalhador manual, do mesmo nível do agricultor ou do ferramenteiro. Ele era um artesão, tinha domínio da techné, em uma sociedade que considerava o trabalho manual menos digno que o intelectual. (ARANHA, 2016.) Assim como em outros setores da cultura, os gregos despontaram de forma destacada, de tal forma que seus feitos ainda produzem admiração nos tempos atuais. Considerando algumas das características predominantes na estética entre os gregos desponta-se:
- A)O fauvismo, característica da arte, principalmente das esculturas e pinturas em que os artistas teriam que dar primazia às variações da luz, e não aos objetos representados.
Errada, porque o fauvismo é um movimento artístico moderno, ligado ao uso intenso e subjetivo das cores, e não à estética da Grécia antiga.
- B)O simbolismo, praticamente uma exigência daquele tempo; tanto que, por essa razão, os artistas, principalmente os pintores, tiveram de repensar a função da arte e o espaço específico da pintura.
Errada, porque o simbolismo é uma corrente moderna, associada a outras preocupações artísticas, bem distante do ideal estético grego clássico.
- C)O surrealismo, que, na verdade, mostra o mundo como desejaríamos que fosse, melhorando e aperfeiçoando o real. É o padrão da arte grega, que não retrata pessoas reais, mas pessoas idealizadas.
Errada, porque o surrealismo é do século XX e trabalha com sonho, fantasia e irracionalidade, não com a arte grega antiga.
- D)O naturalismo, que constituiu uma noção fundamental que marcou profundamente grande parte da arte ocidental, da Grécia antiga até o final do século XIX, com interrupção durante a Idade Média.
Certa, porque a arte grega clássica valorizou o naturalismo, a harmonia e a representação idealizada da figura humana, influenciando a arte ocidental por séculos.
Gabarito: D
Na Grécia antiga, a ideia de arte era bem diferente da nossa. Não existia ainda a noção moderna de “artista” como alguém separado do trabalho manual e voltado à pura expressão individual. O que hoje você chamaria de obra de arte estava muito ligado à vida prática, à educação, à religião e ao uso cotidiano, como vasos, templos e esculturas. Nesse contexto, o valor estava menos na “originalidade pela originalidade” e mais na capacidade de representar bem o mundo, a figura humana e a ordem da natureza. Por isso, a estética grega clássica é marcada pelo naturalismo: busca de proporção, harmonia, equilíbrio e representação verossímil do real, ainda que idealizada. É a famosa combinação de beleza, medida e forma. A alternativa D está correta porque resume exatamente essa marca da arte grega: o naturalismo foi central na Grécia antiga e influenciou fortemente a arte ocidental por muitos séculos, com interrupção importante na Idade Média, quando a arte ficou mais ligada ao simbolismo religioso do que à imitação da natureza. Em outras palavras: os gregos gostavam de olhar para o mundo e recriá-lo com ordem, não de inventar modas como se estivessem em um desfile de vanguarda. As demais alternativas citam movimentos modernos, como fauvismo, simbolismo e surrealismo, que pertencem muito mais aos séculos XIX e XX do que ao universo grego. Então, para a banca, o ponto-chave aqui é reconhecer a estética grega como naturalista, proporcional e harmoniosa.