“Em perpétuo movimento” é uma expressão que equivale bem a “peripatético”, que deriva, em última análise, do grego, perípatos, um pátio onde se pode passear e mais diretamente de peripatetikós, “aquele que gosta de passear”. Esse adjetivo pesado e meio pretensioso jamais teria chegado ao nosso conhecimento se não fosse um famoso filósofo peripatético: Aristóteles. Dizem que Aristóteles gostava de andar compassadamente em volta dos perípatos de seu Liceu, hábito que deixou para os futuros e profundos pensadores. Essa prática inspirou o nome pelo qual veio a ser conhecido o seu sistema de pensamento e, assim, nasceu a Escola Peripatética de Filosofia. (MACRONE, Michael. Isso é grego para mim! São Paulo: Rotterdan. 1994. P. 114. In: Dez Lições de Filosofia para um Brasil cidadão, Gilberto Dimenstein, Alvaro Cesar Giansanti, Heidi Strecker. Editora FTD.) Aristóteles é, sem dúvida, um ícone da filosofia de todos os tempos. Ele foi o criador da lógica como instrumento do conhecimento em qualquer campo do saber. Dentre os seus estudos e teorias, podemos apontar como correta a seguinte premissa:
- A)Que preconiza a lógica como o principal respaldo às práticas produtivas ou as técnicas, isto é, as ações humanas, cuja finalidade está para além da própria ação, pois a finalidade é a produção da própria lógica.
Errada, porque mistura lógica com finalidade produtiva e ainda inverte a ideia aristotélica, que não define a lógica como produção de lógica.
- B)De que o procedimento filosófico-científico, como um método demonstrativo que se realizasse por meio de juízos ou proposições, jamais permitiria obter uma conclusão verdadeira ou, pelo menos, próxima da verdade.
Errada, pois Aristóteles não afirma que o método demonstrativo impede a verdade; ao contrário, valoriza demonstração e conhecimento científico.
- C)De que a lógica é uma ciência indubitavelmente completa e, por isso, na classificação das ciências feita pelo filósofo, a lógica aparece como a primeira, pois é indispensável para a filosofia e para as demais ciências.
Errada, porque a lógica é instrumento fundamental em Aristóteles, mas não é apresentada como ciência completa nem como primeira na classificação das ciências.
- D)Que defende que havia uma mediania entre dois extremos morais, considerados viciosos, um por excesso de algo e outro por falta de algo. A justa medida seria a moderação da ação entre os dois vícios, o que resultaria na virtude.
Certa, porque expressa a doutrina do justo meio: a virtude está no equilíbrio entre dois vícios, um por excesso e outro por falta.
Gabarito: D
Aristóteles é um dos maiores nomes da filosofia grega e ficou muito conhecido por organizar o pensamento de forma lógica e sistemática. Mas, nesta questão, o foco não é a lógica formal em si: é a ética aristotélica, especialmente a ideia de virtude como equilíbrio. Para ele, agir bem não é cair em excesso nem em falta, mas buscar a medida certa em cada situação. Essa tese aparece com força na chamada doutrina do justo meio. O vício pode nascer tanto do exagero quanto da ausência de uma qualidade. Por isso, a virtude moral não é uma regra rígida do tipo “faça sempre isso”, mas uma postura prudente que encontra o ponto de equilíbrio entre dois extremos. É um clássico de Aristóteles: nem demais, nem de menos, com sabedoria. Assim, o gabarito D está correto porque descreve exatamente essa ideia: existe uma mediania entre dois extremos morais viciosos, um por excesso e outro por falta, e a virtude surge da moderação da ação. É a noção aristotélica do meio-termo, desenvolvida na Ética a Nicômaco. As demais alternativas tentam confundir você com temas próximos, como lógica, ciência e método, mas não traduzem corretamente a ética aristotélica. Em concurso, quando aparecer Aristóteles e palavras como moderação, equilíbrio, excesso e falta, acenda o alerta: quase sempre é a doutrina do justo meio.