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Filosofia · CONSULPLAN · 2022

Questão comentada de Filosofia

“Em perpétuo movimento” é uma expressão que equivale bem a “peripatético”, que deriva, em última análise, do grego, perípatos, um pátio onde se pode passear e mais diretamente de peripatetikós, “aquele que gosta de passear”. Esse adjetivo pesado e meio pretensioso jamais teria chegado ao nosso conhecimento se não fosse um famoso filósofo peripatético: Aristóteles. Dizem que Aristóteles gostava de andar compassadamente em volta dos perípatos de seu Liceu, hábito que deixou para os futuros e profundos pensadores. Essa prática inspirou o nome pelo qual veio a ser conhecido o seu sistema de pensamento e, assim, nasceu a Escola Peripatética de Filosofia. (MACRONE, Michael. Isso é grego para mim! São Paulo: Rotterdan. 1994. P. 114. In: Dez Lições de Filosofia para um Brasil cidadão, Gilberto Dimenstein, Alvaro Cesar Giansanti, Heidi Strecker. Editora FTD.) Aristóteles é, sem dúvida, um ícone da filosofia de todos os tempos. Ele foi o criador da lógica como instrumento do conhecimento em qualquer campo do saber. Dentre os seus estudos e teorias, podemos apontar como correta a seguinte premissa:

Gabarito: D

Aristóteles é um dos maiores nomes da filosofia grega e ficou muito conhecido por organizar o pensamento de forma lógica e sistemática. Mas, nesta questão, o foco não é a lógica formal em si: é a ética aristotélica, especialmente a ideia de virtude como equilíbrio. Para ele, agir bem não é cair em excesso nem em falta, mas buscar a medida certa em cada situação. Essa tese aparece com força na chamada doutrina do justo meio. O vício pode nascer tanto do exagero quanto da ausência de uma qualidade. Por isso, a virtude moral não é uma regra rígida do tipo “faça sempre isso”, mas uma postura prudente que encontra o ponto de equilíbrio entre dois extremos. É um clássico de Aristóteles: nem demais, nem de menos, com sabedoria. Assim, o gabarito D está correto porque descreve exatamente essa ideia: existe uma mediania entre dois extremos morais viciosos, um por excesso e outro por falta, e a virtude surge da moderação da ação. É a noção aristotélica do meio-termo, desenvolvida na Ética a Nicômaco. As demais alternativas tentam confundir você com temas próximos, como lógica, ciência e método, mas não traduzem corretamente a ética aristotélica. Em concurso, quando aparecer Aristóteles e palavras como moderação, equilíbrio, excesso e falta, acenda o alerta: quase sempre é a doutrina do justo meio.

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