A grandeza do conhecimento A racionalidade nos torna humanos e superiores aos outros seres. Pascal afirma que o homem é frágil, um grão de matéria no universo, mas esse “quase nada” pensa, raciocina, conhece. “O pensamento faz a grandeza do homem”. O homem não passa de um caniço, o mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante. Não é preciso que o universo inteiro se arme para esmagá-lo: um vapor, uma gota de água, bastam para matá-lo. Mas, mesmo que o universo o esmagasse, o homem seria ainda mais nobre do que quem o mata, porque sabe que morre e a vantagem que o universo tem sobre ele; o universo desconhece tudo isso. (A condição humana segundo Pascal – Revista Cult.) O pensamento de Blaise Pascal é uma das obras genialmente representativas da transformação da ideia do homem ocidental no limiar da idade moderna. Podemos afirmar que Pascal, em sua teoria:
- A)Preconiza que o homem é o único ser capaz de conhecer totalmente o princípio e o fim das coisas.
Errada, porque Pascal não defende que o homem conheça totalmente o princípio e o fim das coisas, já que ele destaca justamente os limites da razão humana.
- B)Afirma que a razão humana seria impotente, por melhor que seja, para provar a existência de Deus.
Certa, porque Pascal sustenta que a razão sozinha não é suficiente para demonstrar a existência de Deus.
- C)Identifica que o livre arbítrio, guiado pela razão humana, seria a forma do homem explicar e comprovar a existência divina.
Errada, porque Pascal não coloca o livre arbítrio racional como caminho de prova da existência divina; ele valoriza a fé e reconhece os limites da razão.
- D)Observa que a fonte de toda superstição é a imaginação, que, por sua vez, é incapaz de compreender a ordem do universo.
Errada, porque embora a imaginação seja importante em Pascal, a alternativa exagera ao dizer que ela é a fonte de toda superstição e que é incapaz de compreender a ordem do universo como tese central.
Gabarito: B
Blaise Pascal é um autor-chave para entender a tensão entre razão e fé no início da modernidade. Ele reconhece a grandeza do ser humano como “caniço pensante”, ou seja, frágil na matéria, mas superior por saber que existe, pensa e morre. Ao mesmo tempo, Pascal desconfia do alcance da razão quando o assunto é Deus: para ele, a razão ajuda, mas não fecha a conta sozinha. Por isso, a teoria pascaliana não é a de um racionalismo triunfante. Bem pelo contrário: ele afirma que a razão humana é limitada e não consegue, por seus próprios meios, demonstrar de forma definitiva a existência divina. A famosa lógica pascaliana aponta justamente para o “coração”, isto é, uma dimensão da experiência humana que vai além do cálculo racional. Esse é o ponto central da questão: Pascal não reduz a fé a superstição, nem diz que o homem domina totalmente o começo e o fim de tudo. Ele mostra que a condição humana é pequena no universo, mas grande no pensamento, e que Deus não é um objeto simples de prova matemática. Então, o gabarito B está correto porque resume bem essa visão: a razão humana, por melhor que seja, não basta para provar a existência de Deus. Em Pascal, a grandeza do homem não está em explicar tudo, mas em reconhecer seus limites e sua necessidade de transcendência.