← Questões de Filosofia

Filosofia · CONSULPLAN · 2022

Questão comentada de Filosofia

Górgias de Leontini, filósofo grego (século V a.C.), defendia três proposições: 1. Nada existe. 2. Mesmo que existisse alguma coisa, não poderíamos conhecê-la. 3.Concedido que alguma coisa existe e podemos conhecê-la, não poderíamos comunicá-la aos outros. Consta que o próprio Górgias não levou a sério suas proposições e muitos estudiosos a consideram um simples gracejo. Mas elas existem há 24 séculos e nos estimulam a refletir. Se o cético afirma que não se pode saber nada, então lhe perguntamos: como pode ele fazer tal afirmação? Está ele certo da verdade da sua proposição? Se está, uma coisa pelo menos é certa e cognoscível, e a afirmação de que nada pode ser conhecido é falsa. E se pode ser conhecida, então alguma coisa também deve existir. Narra-se que um cético grego, Crates, ao perceber isso, nada mais dizia, contentando-se em mover o dedo. Mas Aristóteles, o grande mestre do pensamento, notou que também para isso ele não tinha direito, porque o movimento do dedo exprime uma opinião e o cético não pode ter opiniões. Deve – dizia Aristóteles – ser como uma árvore; com essa é impossível discutir, porque nada diz. (BOCHENSKI, J. M. Diretrizes do pensamento filosófico In.: ARANHA, M. L. A. de; MARTINS, M. H. P. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.) O momento histórico vivido pelo mundo grego favoreceu o desenvolvimento do tipo de atividade praticada pelos sofistas. Era uma época de lutas políticas e intenso conflito de opiniões, que trouxe, dentre outras, consequências como:

Gabarito: A

Os sofistas surgem na Grécia Antiga, sobretudo em Atenas, num contexto de democracia direta, debates públicos e disputas políticas intensas. Nesse cenário, saber falar bem valia quase tanto quanto saber pensar bem, porque quem convencia a assembleia tinha grandes chances de vencer discussões e defender interesses próprios. Por isso, os sofistas ficaram conhecidos por ensinar retórica, argumentação e técnicas de persuasão. A questão conversa exatamente com esse pano de fundo. Em épocas de conflito de opiniões, cresce a procura por quem domine o discurso público. Não é por acaso que muitos jovens ambiciosos buscavam aprender a arte de argumentar para se destacar na vida política. Os sofistas, então, atuavam como professores pagos, ensinando a elaborar discursos fortes, mesmo quando o foco não era a verdade absoluta, mas a força da argumentação. O gabarito é a letra A porque ela descreve bem essa consequência histórica: a ânsia dos cidadãos de aprender a argumentar em público para persuadir as assembleias e fazer prevalecer seus interesses. Isso combina com a prática sofística, centrada na eficácia do discurso. Já as demais alternativas distorcem o papel dos sofistas, como se fossem construtores de uma escola dogmática ou defensores de uma harmonia filosófica universal, o que não corresponde ao cenário histórico nem à função que exerciam. Em resumo: a Grécia do período clássico era uma arena de discursos, e os sofistas viraram os treinadores desse jogo. Quem sabia convencer tinha vantagem, e é exatamente isso que a alternativa A captura.

Continue treinando

Questões relacionadas