A, B, C, D, E, F, G... Aprender a ler e a escrever para você foi fácil, não? E para a humanidade, como foi? Saiba como foi a aventura do desenvolvimento da escrita; conheça os diferentes alfabetos e sistemas existentes. Para nos facilitar a memória, e para nos comunicar com pessoas que estão afastadas no espaço ou no tempo, deixamos registros. A escrita é, portanto, uma invenção decisiva para a história da humanidade. Ela é a representação do pensamento e da linguagem humana por meio de símbolos. Um meio durável e privilegiado de comunicação entre as pessoas. Por meio de registros escritos há milhares de anos, ficamos sabendo como era a vida e a organização social de povos que viveram muito antes de nós. A invenção não surgiu por acaso, mas como consequência das mudanças profundas nas sociedades durante o período do surgimento das primeiras cidades. (CHAUI, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2003.) Antes da criação e adoção do alfabeto na Grécia eram os poetas que transmitiam, oralmente, muitos aspectos da cultura. Com a criação do alfabeto várias transformações ocorreram, dentre as quais podemos apontar:
- A)A narrativa épica, com o desenvolvimento do alfabeto, passou a ser praticamente a forma exclusiva de registros utilizados.
Errada, porque o alfabeto não tornou a narrativa épica a forma exclusiva de registro, apenas mudou o modo de registrar e pensar a cultura.
- B)Com a unificação de um alfabeto especificamente grego, iniciou-se a unificação política das cidades-estados, formando um estado nacional centralizado.
Errada, porque a criação de um alfabeto grego não levou à unificação política das cidades-estado em um Estado nacional centralizado.
- C)A linguagem de ação, característica do relato oral centrado nos acontecimentos, foi sendo gradativamente suplantada pela linguagem de ideias e reflexão.
Certa, porque a escrita favoreceu a passagem do relato oral de ações para uma linguagem mais reflexiva, abstrata e conceitual.
- D)Cada vez mais a linguagem escrita foi sendo agregada aos hábitos dos antigos, a ponto de a oralidade ser usada apenas por filósofos, preceptores e professores.
Errada, porque a oralidade não ficou restrita a filósofos e professores; ela continuou presente na vida cotidiana e na cultura grega.
Gabarito: C
A questão cobra uma ideia central da cultura grega: a passagem de uma tradição mais oral, ligada aos poetas e aos relatos de feitos heroicos, para uma cultura em que a escrita alfabética ganha força e permite outro tipo de pensamento. Antes do alfabeto, muita coisa era preservada pela memória e pela recitação, o que favorecia narrativas mais ligadas à ação, ao acontecimento e ao ritmo oral. Com o alfabeto, especialmente na Grécia, a linguagem escrita passou a registrar argumentos, análises e reflexões com mais precisão. Isso não apagou de imediato a oralidade, mas mudou o modo de pensar e de organizar o conhecimento. A escrita ajuda a separar, revisar e comparar ideias, o que favorece a abstração e a reflexão crítica. Por isso, o gabarito é a letra C: a linguagem de ação, típica do relato oral centrado nos acontecimentos, foi sendo gradativamente suplantada pela linguagem de ideias e reflexão. Essa transformação é muito associada aos estudos de cultura grega e à interpretação de autores como Marilena Chauí, que destacam o papel da escrita na formação de um pensamento mais conceitual. Em resumo: antes, o saber circulava na voz dos poetas; depois, a escrita abriu espaço para a filosofia respirar melhor. A memória continuou importante, claro, mas agora com um novo apoio: letras no papel e ideias em ordem.