Na obra “A estrutura das revoluções científicas”, o filósofo estadunidense Thomas Kuhn desenvolve uma nova noção de paradigma para a ciência. Não se trata de um conceito simples. O importante é compreender que o trabalho científico desenvolve-se com base no modelo consensual adotado pelos cientistas. Sua primeira obra intitula-se “A revolução copernicana”; mas foi no livro “A estrutura das revoluções cientificas” que assentou seu público filosófico. (Aranha, 2016.) Para kuhn, a ciência progride pela tradição intelectual do seu tempo. Uma das suas conceituações – Paradigma – é:
- A)Teoria que resolve necessariamente uma série de anomalias conceituais acumuladas levando a uma inevitável revolução tecnológica.
Errada, porque paradigma não é uma teoria que necessariamente resolve anomalias e muito menos leva, por si só, a uma revolução tecnológica.
- B)Visão de mundo assumida pela comunidade científica, que levanta problemas e apresenta soluções exemplares para a pesquisa futura.
Certa, pois expressa o paradigma como visão de mundo da comunidade científica, orientando problemas e soluções na pesquisa.
- C)Conjunto de premissas que constitui uma dinâmica epistemológica rígida, abstrata e mecânica, que se sustenta diante de qualquer oposição.
Errada, porque Kuhn não define paradigma como uma estrutura epistemológica rígida e mecânica, imune a oposição.
- D)Acima de qualquer outra coisa, algo pragmático e oriundo de um consenso irrefutável por uma gama considerável de cientistas consagrados.
Errada, porque paradigma não é simplesmente um consenso irrefutável de cientistas consagrados, mas um modelo compartilhado e historicamente situável.
Gabarito: B
Thomas Kuhn ficou famoso por mostrar que a ciência não avança como uma linha reta, limpa e sempre racionalzinha. Para ele, a atividade científica normalmente acontece dentro de um conjunto de crenças, valores, métodos e exemplos aceitos por uma comunidade, isto é, um paradigma. Esse paradigma funciona como uma espécie de mapa: orienta quais problemas valem a pena, como pesquisá-los e o que conta como solução aceitável. Quando a ciência “anda bem”, os pesquisadores fazem ciência normal, trabalhando dentro desse modelo comum. Só que, com o tempo, podem surgir anomalias, isto é, fatos que o paradigma não consegue explicar direito. Se essas falhas se acumulam, pode ocorrer uma crise e, depois, uma mudança de paradigma, o que Kuhn chama de revolução científica. É por isso que a alternativa B está correta: ela descreve o paradigma como uma visão de mundo compartilhada pela comunidade científica, que orienta a formulação de problemas e oferece soluções exemplares para pesquisas futuras. Essa é exatamente a ideia kuhniana de paradigma, muito ligada ao consenso e à prática concreta dos cientistas. As outras alternativas exageram ou deformam a teoria, como se paradigma fosse uma teoria que resolve tudo, uma estrutura rígida e mecânica, ou um consenso irrefutável. Kuhn não trata a ciência como algo infalível, mas como uma construção histórica, social e revisável.