Leibniz estabeleceu uma distinção entre verdades de razão e verdades de fato. As verdades de razão enunciam que uma coisa é, necessária e universalmente, não podendo de modo algum ser diferente do que é e de como é. O exemplo mais evidente das verdades de razão são as ideias matemáticas. É impossível que o triângulo não tenha três lados e que a soma de seus ângulos não seja igual à soma de dois ângulos retos; é impossível que um círculo não tenha todos os pontos equidistantes do centro e que não seja a figura formada pelo movimento de um semieixo ao redor de um centro fixo; é impossível que 2 + 2 não seja igual a 4; é impossível que o todo não seja maior do que as partes. (ARANHA, 2016.) Gottfried Wilhelm Leibniz foi um matemático, físico e filósofo científico alemão, famoso por ser um dos criadores do cálculo diferencial e integral, conquista que é dividida com Isaac Newton. Leibniz concebe as ideias do cálculo de forma independente, sem nenhuma relação com Isaac Newton. Este fato gerou inúmeras discussões pela disputa do título de criador do cálculo. Leibniz escreveu diversos ensaios, mas não expôs de modo organizado e sistemático o seu pensamento filosófico. No entanto, é o responsável pela criação do termo:
- A)“Aporias”, que seriam as dificuldades teoréticas, ou seja, os verdadeiros “quebra-cabeças” filosóficos.
Errada, porque aporias são impasses ou dificuldades de raciocínio, conceito mais associado à tradição filosófica em geral, não ao termo criado por Leibniz.
- B)“Organon”, que ele definia como categorias da interpretação analítica das coisas e das ações humanas por excelência.
Errada, porque Organon é o nome ligado à obra lógica de Aristóteles, e não a uma criação terminológica de Leibniz.
- C)“Metafísica”, que significa investigação das realidades que transcendem a experiência sensível, enganosa e incompleta.
Errada, porque metafísica é um ramo da filosofia, não um termo criado por Leibniz para designar seu conceito central.
- D)“Mônadas”, que, para ele, são substâncias simples, diferentes entre si, sem extensão, indivisíveis e eternas que somente Deus poderia criar ou destruir.
Certa, porque mônadas são as substâncias simples da filosofia leibniziana, indivisíveis, sem extensão e dependentes de Deus para existir ou deixar de existir.
Gabarito: D
Leibniz é lembrado, entre outras coisas, pela distinção entre verdades de razão e verdades de fato. As verdades de razão são necessárias, universais e não poderiam ser diferentes do que são, como acontece com as proposições matemáticas: 2 + 2 = 4, o triângulo tem três lados, o todo é maior que a parte. Já as verdades de fato dependem da experiência e poderiam ser diferentes. Na filosofia leibniziana, também aparece a ideia de que a realidade é composta por unidades simples chamadas mônadas. Elas não têm extensão, não são materiais como um corpo comum e não se dividem. Cada mônada expressa o universo de um ponto de vista próprio, como se fosse um espelho do todo, mas com graus diferentes de clareza. Por isso, o gabarito está na alternativa D. É justamente Leibniz quem usa o termo “mônadas” para nomear essas substâncias simples, indivisíveis e espirituais, que não podem ser criadas ou destruídas por causas naturais, dependendo de Deus para sua existência e aniquilação. Em outras palavras: não é um conceito solto, é um dos pilares do sistema metafísico dele. As outras alternativas tentam confundir com termos de outros campos da filosofia: aporias, organon e metafísica não são a marca registrada de Leibniz. Aqui a banca quer ver se você reconhece o vocabulário leibniziano sem cair no perfume genérico de palavras filosóficas famosas.